sexta-feira, 3 de março de 2017

Sem proveito

Não há tempo, bom ou mau, que me valha. Se há sol, queimam-se-me irremediavelmente as palavras. Se há vento, voam-me para longe. Se há chuva, dissolvem-se na corrente. Aqui não costuma nevar mas se acaso acontecesse, por certo congelariam. Em nenhum modo a escrita se me ajeita ao tempo. Apenas se encaixa em tempo perdido, sem proveito.

21 comentários:

Carla disse...

Será possível uma escrita fora do tempo? :)

Isabel Pires disse...

Luísa, não dês o teu tempo por perdido :)

AvoGi disse...

Tempo perdido o tempo que se espera pelo tempo
Kis:=}

Janita disse...

Não sejas injusta contigo própria, Luísa. Tudo o que tens escrito, com sol, com vento ou com chuva, não foi tempo perdido. O proveito foi todo de quem teve a benesse de ler as palavras aonde a tua fértil imaginação nos levou.
Tal como as nuvens levadas pelo vento, como dizes no post abaixo.
E que bela tela nos pintaste!...

Beijos :)

Rui disse...

Realmente, fantástico, Luisa ! ... Invejo essa tua maneira de te expressares !
... e eu fico sem palavras !!! :))

Raquel disse...

Está lindo, tão poético! As palavras são realmente muito volúveis. :)

Miss Smile disse...

Faça chuva, faça sol, eu gosto sempre do que escreve :)

Elvira Carvalho disse...

Excelente.
Abraço e bom fim-de-semana

Manuel Veiga disse...

talvez escrever em vários tempos...
como se jazz fosse!

Ricardo Santos disse...

Muito de verdade no que lindamente disseste !

bea disse...

Não sei verdadeiramente o que vale escrever em blogues. Talvez, em objectiva verdade, seja um quase nada. A escrita dos outros faz-me companhia - e é o caso da sua, o encontro marcado com a Luísa à esquina da tecla -, por vezes fala-me de coisas que jamais me ocorreriam e pensa de forma diferente as mesmas coisas o tem interesse e dá uma medida de existência e interlocutor, há-de haver alguém por detrás das palavras. A minha própria escrita uso-a de entretém, tentativa de guardar momentos, apanhar bocadinhos de vida e lampejos de imaginação.
Não penso em tempo perdido com nenhuma delas. É mais um acto de sobrevivência, um espaço de respiração e encontro, se pode chamar-se assim a letras engatilhadas que se cumprimentam. Mas o meu dia também não foi espectacular e portanto talvez eu não tenha razão.
Todo o nosso tempo é de perder :).
Boa noite

papoila disse...

No teu caso, não concordo nada!
A voar, molhadas ou congelas as palavras que nos deixam são sempre muito interessantes.
Adoro a tua escrita.
bjs

Benó disse...

Que o pensar se ajuste ao escrever faça sol ou faça chuva. Não há tempo perdido quando se escreve.Umj abraço.

Portugalredecouvertes disse...

estás sempre bem inspirada Luísa, acredita que as tuas frases são muito bonitas :)
abraço
Angela

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Pois eu diria, Luísa, que consegue conjugar as palavras de modo a transmitir ideias magníficas, em todas as estações.
Nem sempre comento, mas venho cá quase todos os dias para beber as suas palavras. Obrigado

luisa disse...

Carla,
Talvez não. Estamos permanentemente imbuídos dele.

Isabel,
Espero que num outro momento do tempo consiga recuperar alguma coisa.

AvoGi,
Mas não estaremos nós sempre à espera de um pouco mais de tempo?

Janita,
Agradeço as tuas palavras, sempre gentis.

Rui,
Ah, não… Tens sempre uma palavra certa.

Raquel,
Obrigada!

Miss Smile,
Bondade sua…

Elvira,
Obrigada. BFS para si também.

Manuel Veiga,
Uma boa ideia, essa.

Ricardo,
Obrigada.

Bea,
Fico-lhe grata pela sua sempre tão generosa presença e comentários. Há muitas razões para escrever. Por vezes, só porque sim. O proveito da escrita terá os seus dias. Quando é que a bea abre por aqui um espaço e nos permite também lê-la com regularidade?

Papoila,
Gentileza tua. Obrigada.

Benó,
Há sempre dias melhores que outros.

Ângela,
Obrigada pelo apreço.

Carlos,
Eu é que tenho de lhe agradecer.

Os olhares da Gracinha! disse...

Aproveita_se sempre pois se gosta! Bj

Célia Rangel disse...

E, sempre haverá tempo de brincar com as palavras...
Abraço.

luisa disse...

Gracinha,
Há sempre momentos de dúvida. Em todo o caso, obrigada.

Célia,
E isso é uma coisa boa, sem dúvida.

Majo Dutra disse...

De facto, há dias e fases menos inspiradas,
mas o texto, mesmo assim, ficou interessante.
Não procures demais a inspiração,
ela acaba sempre por chegar...
Beijo ~~~~~~~~~~~~~~~

Ana Freire disse...

As palavras até se podem encaixar num tempo perdido... mas elas mesmo, não são tempo perdido, são um tempo preenchido, pois se o tempo fosse de outra forma aproveitado, ficariam para sempre por dizer...
Há sempre algum proveito... até naquilo que parece não o ter...
Beijinhos
Ana