quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A birra

A criança, uma menina, começa uma birra. Está ao colo do pai, na fila para as caixas do supermercado. Grita e estica-se em direção à mãe, que, logo atrás, carrega nos braços as compras. Os progenitores sorriem enquanto a pequena insiste na gritaria e consegue alcançar a ponta do rabo de cavalo da mãe, uma cigana de longos cabelos negros e farto peito a sobrar no decote.  Sente-se a força da miúda puxando os cabelos da mãe com toda a raiva que uma criança de dois anos consegue ter. O pai vem em auxílio da mulher e solta-lhe os cabelos das mãos da pequena que grita cada vez mais. Riem-se os dois enternecidos e, sem uma reprimenda sequer, seguem para a caixa 26, entretanto anunciada para eles no altifalante.

sábado, 2 de dezembro de 2017

O grilo

Calou-se o grilo e eu nem dei por isso. Lembrei-me agora dele, assim sem mais. Ouvia-o, escondido no canteiro, sempre que passava com o meu alguidar de roupa por estender. Não lhe achava muita graça ao canto. Um criiiiiii criiiiiiii meio rouco, arrastado, sempre no mesmo tom, tristonho. Encontrava-se só, acredito, e sentia, por certo, que o tempo já não estava para ele. Não sei se morreu ou se hibernou. Sem roupa para o estendal, abro, ainda assim a porta e espreito para dentro da noite a confirmar a ausência.  Junto ao canteiro, apenas o frio, moldado a oito graus, e o brilho dos astros ao alto. Recolho-me a casa. Cá dentro cheira a amêndoas torradas e a histórias por ler.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

domingo, 26 de novembro de 2017

Passeio de domingo (385)


É um passeio de setembro passado, junto à lagoa dos Salgados, que fui recuperar para este domingo em que não consegui sair para fotografar.









sábado, 25 de novembro de 2017

Em texto automático

(…)
Dormíamos dentro de livros enormes, que carregando num botão faziam amor como pianos de cauda.
(…)


Artur do Cruzeiro Seixas, Dois textos automáticos, Edições  Sem Nome, 2017



Espantos

Um dia, tive o espanto feliz de ver esta pequena esquina destacada na sua rubrica blog da semana. Como era possível?... pensei. Um espaço tão insignificante como o meu…


Hoje tenho o espanto triste de saber que partiu. Como é possível?...penso.  O desaparecimento de alguém que se admira, mesmo não conhecendo pessoalmente, toca-nos como se fosse próximo. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017