domingo, 28 de fevereiro de 2016

Passeio de domingo (296)


Recupero, para este domingo, um passeio que fiz em janeiro, junto à lagoa dos Salgados, no acesso à praia Grande, já no concelho de Silves.  
Estou em dia de escasso acesso à rede e é, por isso, um passeio agendado previamente.








quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ladainha do tempo perdido

Era para dizer mas
Não disse.
Era para escrever mas
Não escrevi.
Era para beber mas
Não bebi.
Era para ver mas
Não vi.
Era para ir mas
Não fui.
Era para escutar mas
Não ouvi.
Era para fazer mas
Não fiz.
Era para viver mas
Morri.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Tangerina

Subi a mesma rua de sempre, a caminho do carro estacionado. São cerca de sete ou oito minutos de bem andar desde a saída do trabalho. Não reparei se as pessoas com quem me cruzei eram as habituais do percurso. Só reparei no rapazinho que também subia a rua, descontraído. Apenas o vi de costas, já que caminhava à minha frente. Apressei o passo para seguir adiante. Ultrapassei-o sem olhar para ele mas, pelo cheiro, percebi que comia uma tangerina. Levei comigo o odor e, ainda agora, só de me lembrar, chega-me aqui o perfume da fruta e salivo como se me aprontasse a trincar um gomo.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Concerto breve

São talvez dez segundos, nem tanto, que, se não abrando o andamento, demoro a passar junto daquelas três palmeiras. É fim de tarde e as aves, muitas, que se acomodam nos altos ramos, encetam o seu concerto do lusco-fusco. Não as vejo mas soam-me diversas. Por desconhecimento não as consigo identificar pelo canto. São como uma orquestra, virtuosa e afinada que ouço, mas da qual, por ignorância, não identifico os instrumentos que a compõem. Não importa. O que importa são aqueles dez segundos de harmonia, dez segundos de emoção, dez segundos que me embalam enquanto caminho de regresso a casa depois de um dia de trabalho.

Espertinhas

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Passeio de domingo (294)



Sendo elevada a probabilidade de não poder editar hoje o passeio, deixei agendado aquele que fiz durante a semana, junto à praia da Falésia, como se fosse domingo.








sábado, 13 de fevereiro de 2016

Andamento


Não saber senão caminhar, com ou sem destino, por força de mim ou por força de um vento.

É a vida e a morte, sempre em andamento.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Perfume

Não sei se foi da chuva miudinha que caiu um pouco antes. Não sei se foi acaso. Não sei se foi conspiração. O certo é que os cheiros das resinas, das estevas, do rosmaninho e dos tomilhos estavam absolutamente desenfreados. Como diabos à solta rodaram em volta de mim, puxaram-me pelos cabelos, entraram-me narinas dentro e entranharam-se de tal modo que, ainda agora, horas depois da caminhada, estão por aqui a dominar-me os sentidos.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Passeio de domingo (293)


O passeio, em Vilamoura, teve uma parte junto ao mar e outra nem por isso. Escolhi mostrar a parte nem por isso.








quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A menina da loja

Quando é que a menina da loja se dá conta que, assim, não vai vender? A mim, pelo menos, não vai vender. A menina da loja devia cumprimentar-me quando entro e perguntar-me se desejo alguma ajuda.  Se eu a dispensar, naquele momento, a menina da loja devia deixar-me circular em paz, apreciando as peças que bem me apetecesse, sem mais.  Mas não. A menina da loja vê-me pegar num blusão e logo se apressa a explicar que aquele não é em pele mas também os tem – os blusões – em pele. E mais, a cada peça que ouso agarrar lá vem ela com mais um comentário, mais uma explicação. Que é da nova coleção. Que é muito bonito. Que este ainda está em saldos. Que o primeiro andar também tem saldos. Que posso experimentar. Que ali estão as calças. Que e que e que e mais ainda que. Pois eu não quero saber dos seus que. Eu só quero ver as novidades para, eventualmente, me deparar com uma peça irresistível e, sem apelo nem agravo, deixar-me levar à loucura do consumo imediato. Ou então, em dias razoáveis, levar a peça na cabeça para pensar nela, pesando vantagens e inconvenientes, até uma decisão final. Só que a menina da loja estragou tudo. Com tantos que, desencadeou em mim uma incontrolável reação alérgica que ameaçava transformar-se numa resposta torta. Tive que sair apressadamente da loja para respirar fundo e concluir que nem tão cedo lá volto a pôr os pés.