terça-feira, 23 de agosto de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A poça de maré


Vi-me hoje, com oito ou nove anos de idade, nadando numa poça de maré. Essa imagem que me acompanha há tanto tempo, num quadro de perfeita saudade, materializou-se esta manhã mal pus os pés nas águas mornas e cintilantes que, com vagar, iam escorrendo por pequenos regatos até à zona de rebentação. Não mais de trinta centímetros de altura e uma suave carícia abaixo dos joelhos. A outra, a dos meus oito ou nove anos, seria com certeza um pouco mais profunda. Mas tinha a mesma limpidez, a mesma correnteza, a mesma alegria. Fiquei ali, parada, olhando o mar e agradecendo a leve brisa que, a custo, contrariava a força do sol das onze horas.



domingo, 21 de agosto de 2016

Passeio de domingo (319)



Em tempo de férias todos os dias se parecem com o domingo. Por isso, não sendo propriamente de hoje, este, com apenas três dias, serve na perfeição. A praia é a da Rocha Baixinha e a hora é entre as nove e as dez da manhã, comprovando-se que madrugar compensa.









sábado, 20 de agosto de 2016

whp

A rede das fotografias móveis diz-me que o projeto deste fim de semana se chama bookworm. Adiro, não adiro, adiro, não adiro…?

É que o coitado do livro que resolvi resgatar da estante e tenho agora entre mãos para (re)leitura de férias, apresenta-se amarelado e com algumas manchas de idade. Ficará bem na fotografia? É claro que, para o efeito, posso sempre escolher outro. Ou vários. Ou a estante toda. Mas se é precisamente este que agora leio… Pensando bem, tem estado arrumadinho vai já para uns quarenta anos. Para além das manchas, tem folhas ásperas e cheiro doce. O cheiro doce do papel velho é bom. Mas o cheiro não se vai notar na fotografia. Uma pena. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Milagres


Para ti, multiplicarei as luas. A desta noite e quantas mais quiseres.
Infinitos de luas, até.

Pequenos milagres de luz. Só para saciar o sonho. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Galos

São cinco da tarde e ouço os galos a cantar. Não é normal os galos cantarem a esta hora. Todos sabemos que os galos cantam cedo pela manhã e que o fazem para nos acordar. A esta hora, o normal é ouvirmos apenas as cigarras. E elas cumprem. Estão lá fora nos seus postos de trabalho – de trabalho sim, que são elas as mais esforçadas artistas do verão – soltando, do seu abdómen, as estridentes e incessantes notas que nos embalam os dias de calor. Estranho, por isso, o som altivo que, adivinho, sai do galinheiro da minha tia. Podia até ser do galinheiro do meu pai. Mas não. Olhando para lá, para de onde vem o canto, percebe-se perfeitamente que este se alinha numa diagonal, vindo do lado esquerdo do pomar, até chegar aqui à minha varanda. Se fossem os galos do meu pai, a linha de som viria a direito, na perpendicular ao meu horizonte. São, sem sombra de dúvida, os galos da minha tia. Não sei o que querem anunciar. Não será o dia, certamente, que este já vai longo. A não ser que os pobres tenores, tal como eu na noite passada, tenham interrompido o sono por conta das músicas dos DJs que, madrugada dentro, foram batucando, batucando, batucando e chegaram até aqui trazidas pelo vento. De mal dormidos, precisaram de uma sesta e agora, coitados, acordaram com o despertador do avesso. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sementes

Há caminhos em que colho sementes que se grudam ao corpo, penetram-me a pele, percorrem-me as veias, abrasam-me o ventre, conquistam-me a alma. 

domingo, 14 de agosto de 2016

Passeio de domingo (318)


Um passeio da série "bichos perto de casa". Deixo-o também com uma nota especial para a Susana e a sua voz à solta, onde, num destes dias, falámos do misto de fascínio e temor. Neste caso, todos me fascinam e talvez só a um destes insetos acrescente o temor. 








terça-feira, 9 de agosto de 2016

Calma


Na hora da calma, sigo pelas ruas que me conduzem ao almoço. Caminho rente às paredes abrigando-me na estreita nesga de sombra que ainda subsiste junto a alguns prédios com varandas. O sol castiga-me o braço que não logra ser alcançado pela benesse desse abrigo. Apresso-me para fugir do calor infernal.

Na fila dos tabuleiros do self-service vou fazendo o meu prato enquanto o dono do restaurante explica a um pequeno grupo, no seu melhor francês, como funciona o estabelecimento. O seu melhor francês é até muito bom. Atesto-o. Ainda assim o sistema da comida a peso parece difícil de entender para os quatro turistas e o pobre homem, rapaz, que ainda é novo, tem de explicar uma e outra vez até que finalmente decidem experimentar. Allez, on va bien voir.

Instalaram-se numa mesa ao fundo da sala e eu, de costas para eles, não consegui saber se afinal viram bem ou viram mal.

domingo, 7 de agosto de 2016

Passeio de domingo (317)


Escusado será dizer que a máquina fotográfica tem estado de férias. Retomo, por isso, as fotografias do último passeio que a dita deu, já lá vão três semanas. O dia até estava parecido com o de hoje. A praia é a da Falésia (Alfamar).









domingo, 24 de julho de 2016

Pausa...

…motivada por uma significativa falta de agilidade no braço e mão esquerdos conjugada com uma imperiosa necessidade de poupar o braço e mão direitos aos efeitos perniciosos de um rato de computador que, por estes dias, se estão a manifestar de forma aguda.



terça-feira, 19 de julho de 2016

Chamada perdida

Somos quatro e almoçamos na mesa da esplanada do restaurante para aproveitar a fraca brisa que passa de vez em quando. Começa a ouvir-se uma música, como se saísse de um altifalante. Curiosa, interrompo a nossa conversa e pergunto repetidamente, mas de onde vem esta música? Mas de onde vem esta música? Todas percebemos em simultâneo que a música, afinal, vem da mesa ao lado onde uma mulher toma café na companhia de um computador portátil e de um telemóvel. A música cessa com a chamada perdida que ela não atendeu. Uma de nós tem a língua destravada e resmunga, em tom de se ouvir, que dispensa toques de telemóvel em altos berros enquanto almoça. Eu calo-me e mastigo como se não fosse nada comigo. Outra de nós faz o mesmo enquanto uma terceira fala de um tema relacionado com a manhã de trabalho no escritório.

A mulher do telemóvel e do computador portátil torce-se na cadeira e vira-se para trás de modo a encarar o nosso grupo. Tem unhas longas, cor-de-rosa choque e afiadas como garras. O seu olhar cruza o meu e fuzila-me. Cobardemente, finjo que na minha mesa ninguém deu por ela. Levanta-se, por fim, e afasta-se de andar dolente na sua saia de tigresa. Entretanto, o telemóvel não voltou a tocar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Invasões francesas

No supermercado já me vou habituando às caixas self-service. Tal como me habituei a abastecer, eu própria, o automóvel porque já não encontro nenhuma bomba de combustível com funcionários que o façam, também a pressão das longas filas, conjugada com a pressa, acaba por me encaminha para o DIY ou seja para o trata tu do assunto.
E hoje, assim foi. Lá segui com a minha embalagem de costeletas para a máquina self-service que estava livre e, concentradíssima nas instruções que ela me ia passando a cada toque no ecrã, efetuei o meu pagamento. De tão concentrada que estava, só quase no final da operação me dei conta que a máquina estava a comunicar comigo em francês.  


Oui, vous me lisez bien. En français. 

domingo, 17 de julho de 2016

Passeio de domingo (316)


Hoje ponho o tempo a andar para trás. Recuo algumas semanas e trago o passeio de uma tarde quente de junho, pelas ruas antigas de Loulé.








Vento

Há vento e quando ele passa as folhas do choupo dizem-lhe:  shhhhhhhh