segunda-feira, 19 de outubro de 2020

As palavras são novas

 


As palavras são novas: nascem quando

No ar as projetamos em cristais

De macias ou duras ressonâncias.


Somos iguais aos deuses, inventando

Na solidão do mundo estes sinais

Como pontes que arcam as distâncias.


José Saramago, Os poemas possíveis

domingo, 18 de outubro de 2020

Passeio de domingo (508)

 


Ao sol de outono, junto à  praia Grande (Silves), sem chegar a pôr o pé na praia.










... os prazeres inexplicáveis

 (...)

Num pensamento criador vivem milhares de noites de amor esquecidas que o preenchem com nobreza e elevação. E aqueles que nas noites se encontram e se entrelaçam numa volúpia que os embala fazem um trabalho sério e reúnem doçuras, profundeza e força para a canção de algum poeta vindouro que surgirá para dizer prazeres inexplicáveis".

(...)

Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta.

domingo, 11 de outubro de 2020

sábado, 10 de outubro de 2020

Não é o corpo

não é o corpo

sabes


nem o olhar

nem sequer

a voz e o riso


tampouco o

movimento

dos lábios que

adivinho

em sorriso


sequer o tique

nervoso do pé

a balouçar

o tempo todo

da conversa


não é o corpo

repito


são as palavras


só as palavras

importam


domingo, 4 de outubro de 2020

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Labirinto

 


Não haverá uma porta. Estás cá dentro

E a fortaleza abarca o universo

E não possui anverso nem reverso

Nem externo muro nem secreto centro.

Não esperes que o rigor do teu caminho

Que obstinado se bifurca noutro,

E obstinado se bifurca noutro,

Tenha fim. É de ferro o teu destino

Como o juiz. Não esperes a investida

Do touro que é um homem, cuja estranha

Forma plural dá horror à maranha

De interminável pedra entretecida.

Não existe evasão. Nada te espera.

Nem no negro crepúsculo a fera.



Jorge Luis Borges

Nova antologia pessoal, Quetzal Editores, 2017


domingo, 27 de setembro de 2020

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Poema de amor

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno

e quase ia morrendo com receio de que não

te coubesse no dedo


Jorge de Sousa Braga

[Poemas Portugueses - Antologia da poesia portuguesa do séc.XIII ao Séc.XXI, Porto Editora, 2009]