domingo, 9 de maio de 2021

sábado, 8 de maio de 2021

A carrinha do pão

 

Por estas bandas, até não muito distantes dos grandes espaços comerciais, ainda passam as vendas ambulantes. Quando eu era criança, o peixeiro vinha de motorizada. Agora vem numa carrinha comercial. E também há a carrinha do pão, que, mencionada aqui, me trouxe a imagem do dia de ontem, quando ao final da tarde, passando eu pela Estrada Nacional, observei uma das ditas. Ali estava parada, com a porta traseira levantada, enquanto o vendedor atendia o cliente. Naqueles poucos segundos do tempo da minha passagem, vi lá dentro o belo amontoado de pães, e talvez pela fome que já trazia comigo, quase chegou dentro do meu carro, vidros fechados e tudo, o seu convidativo aroma. Fiz o resto do meu caminho só a pensar no cheiro bom que deve reinar naquela carrinha.

domingo, 2 de maio de 2021

Passeio de domingo (530)

 


É tudo bicharada fotografada ontem, mas quase de certeza os encontraria hoje também. 








sábado, 1 de maio de 2021

Maio

 


Podia ser no pinhal, bem junto à praia, ou na sombra de uma alfarrobeira com o ribeiro correndo perto. Estendíamos uma manta de retalhos, pousávamos os cestos do farnel, caracóis jamais faltariam. Partilhávamos a comida e as conversas. A brisa leve fazia ondular as cores à nossa volta. Havia jogos, alguns aproveitavam para uma pequena sesta, por vezes um banho ou meros salpicos, se o tempo ajudasse. Assim chegava maio, gente e natureza em comunhão.  


quarta-feira, 14 de abril de 2021

Fascínio

 

Devia ver-se esta noite um finíssimo fio de lua, marcando o começo da sua fase crescente. Abri a porta que dá para a varanda, mas não se vê senão nuvens pardas cobrindo o escuro do céu. Não tenho tomado muita atenção à lua, ultimamente. O tempo meteorológico também não tem ajudado a alimentar o meu fascínio por ela e já me vai roendo a saudade. Torno a entrar em casa enquanto à volta da luz do candeeiro público uma borboleta noturna esvoaça num desespero de atração fatal.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Inteligência artificial

 

É na Junta de Freguesia que se acede ao balcão dos correios. Do lado esquerdo o guiché dos Correios, do lado direito o guiché da Junta. Uma empregada de máscara, luvas, avental de plástico e termómetro na mão, controla os acessos. Um de cada vez, para cada lado. Enquanto resolvo o meu assunto de correspondência, ouça-a conferir com o freguês seguinte: É para Junta? Não pode. O computador não funciona. Eu, já de saída, ainda olho para o lado do balcão da Junta. Lá se encontra, atrás do monitor, a funcionária de quem reconheço os traços e que sempre ali atende. Será ela, pergunto-me? Ou será um robô e eu ainda não tinha dado conta dos avanços tecnológicos deste serviço de proximidade? Saio, enquanto o freguês, que até só poderia querer uma vulgar informação de cariz analógico, se mantém à porta, indeciso entre dar meia volta e regressar noutro dia, ou esperar ali mesmo que o computador volte a si.

domingo, 11 de abril de 2021

Passeio de domingo (529)

 


Fui finalmente ver o mar. E arredores.












Capacidade respiratória

 

Enquanto me agacho junto a uma ruína, apontando a objetiva a uma pequena flor, ouço uma voz que se aproxima. Endireito-me, ajeito a máscara e viro-me para o caminho para ver quem vem lá. É um sexagenário, talvez perto de ser septuagenário, de phones nos ouvidos, correndo e cantando take me home a plenos pulmões. Sem evidenciar qualquer falta de fôlego, cumprimenta-me com um leve sinal de cabeça, sem interromper o ritmo da sua corrida nem a letra da canção. Dá para perceber que, nestas paragens, pode estar longe de West Virgina, mas sente-se certamente perto do paraíso.