quarta-feira, 20 de outubro de 2021

domingo, 17 de outubro de 2021

Passeio de domingo (546)

 


No Parque Natural da Ria Formosa,  na parte que cabe ao território do concelho de Loulé e pelos tais passadiços de Loulé Litoral.










A buzina

 

Os trilhos de natureza foram acrescentados com passadiços. Ainda não os tinha percorrido desde o incremento e a minha manhã não foi suficiente para os completar. Não foi, porque não quis. Preferi andar a passo lento, aqui e ali a passo parado, acrescentada eu também de um olho suplementar, tentando fixar horizontes, vegetação, bichos e afins. Entre a fauna frequentadora do local, contam-se bípedes, quadrúpedes e rodados para citar apenas aquela que segue os trilhos. As regras mandam, entre outras coisas, que se circule pela direita e que não se faça barulho. E está bem assim. Tanto os passadiços de madeira, como os troços de terra e gravilha, fazem ressoar passos e rodas, alertas bastantes para que saibamos o que atrás de nós vem. A dado passo, ainda assim, comecei a ouvir um toque estranho, um prut prut compassado, que se foi aproximando, passando a pruut, pruut, pruut mais audível quando me ultrapassou. Percebi então a origem da buzina, audível mas invisível, toda ela incorporada no corredor de camisola azul e calções pretos.

domingo, 10 de outubro de 2021

sábado, 9 de outubro de 2021

Enredo

 

Este sol baixo de outubro abrasa-me a pele. Refugio-me na sombra, ajeitando na areia a cadeira de praia. Fecho o livro por um momento e fico a observar os dois pescadores de ocasião que se atarefam a desenlear a linha, um segurando na cana, o outro procurando recolher o que a mais se desenrolou e se enrola agora na espuma das ondas que não dão tréguas. Alguns passeantes de beira mar param por instantes para ver o enredo, porém tarda o desenlace. Desistem do final da história e prosseguem a caminhada. Lembro-me de que ainda quero fazer uma compra antes do almoço e trato de recolher os meus adereços, sacudir o excesso de areia, ajeitar o chapéu na cabeça e dar por concluída a minha manhã balnear. Também eu não ficarei para ver como se resolverá o enredo da linha de pesca. Menos mal, que enredos, tal como os chapéus do outro, há muitos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Sol da tarde

 

No banco de pedra, canadianas encostadas, gorro de lã preto, a mulher que teve dez filhos apanha o sol da tarde e estranha a minha obsessão fotográfica com o jorro de água que sai da fonte. Teve dez filhos, conta, mas quatro raparigas morreram. E é de morte que mais fala. Conta-me dos que por ali morreram, dos que por ali vão morrendo. Da mulher daquele senhor que passou rua acima, da que morava ali adiante naquela casa amarela, da que foi para o lar e durou menos de uma semana. Os filhos não tomam conta, vão para o lar e morrem logo. Quer saber se na minha terra também há gente que morre. Fala-me dos sacos de medicamentos que tem só para ela, mostra-me com a mão o tamanho que têm. Não consegue já ficar muito tempo em pé, mas de resto as análises que há pouco mais de um mês realizou mostram que está tudo bem. Assim disse o médico, que muitos mais novos não tinham análises tão boas. Vai fazer anos em breve. Quantos, pergunto-lhe. Ah, o meu filho é que sabe.

domingo, 26 de setembro de 2021

Passeio de domingo (544)

 


Imagens de outros dias para um passeio de  domingo em jeito de atestado de vida. Ainda moro aqui apesar de blogo-inativa.









segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Quico

 

Quico, um buldogue francês, lindo de feio, é interpelado no passeio pela dona. Quico... Para aqui Quico. Para aqui. Deixa passar a senhora. Já se percebeu que a senhora sou eu. E o Quico, obediente e respeitoso, desvia-se para junto dos pés da dona, que apenas ocupam o lancil, deixando-me livre todo o passeio. Agradeço à dona com o melhor sorriso que os meus olhos conseguem abrir – que a máscara ainda por cá vai morando – e continuo em direção ao sítio onde tenho o carro estacionado. Enquanto isso o Quico é novamente interpelado pela dona. Vem cá meu amor.

domingo, 12 de setembro de 2021

Passeio de domingo (543)

 


Por trilhos que conduzem ao mar, só que o mar ficou  hoje de fora. 











Para mais tarde recordar

 

Da piscina do hotel, transformada em camarote, as turistas estrangeiras assistiram embevecidas à cerimónia que, no terraço adjacente, selava aquela história de amor. De telemóvel e câmara em punho, fotografaram despudoradamente noivos e convidados, acrescentando emoção alheia aos seus registos das férias.