sábado, 29 de abril de 2017

Dança comigo


Risco
Rabisco
Torço
Distorço
Rolo
Enrolo
Corto
Encorpo
Pinto
Finto
Desminto
Toco
Retoco

Fixo-te numa dança só para mim.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ai o pão, o pão...

Recostada na marquesa, com os elétrodos colocados no pé, a corrente a formigar por ali, fico atenta aos movimentos dos terapeutas, à música que passa no rádio e até às conversas que passam, claras, através das cortinas que separam cada gabinete de tratamento.

A paciente que acaba de chegar é mais faladora que os outros. O tema peso e cálculo do índice de massa corporal arrasta-a para o tema dos folares que ela nunca comia mas aos quais agora não resiste. No outro dia, até comeu um inteirinho. Era um folar com pouco doce. Ela não gosta de muito açúcar. Mas comeu-o todo de uma vez. E o pão? Ai, senhores, o pão! Não lhe tirem o pão. Se precisasse de cortar no pão para uma dieta qualquer não faria dieta. Impossível. Explica que costuma comprar um, excelente, ali numa zona que ela identifica mas que eu não conheço. Um pão pequeno que custa noventa e cinco cêntimos e é delicioso. Do que mais gosta é de comer pão, barrado com manteiga, e com uvas.  Gosta de comer pão com tudo. Até de comer pão "às secas" que é como quem diz sem nada.

Entretanto a corrente formiga-me no pé e agora é a fome - o lanche de uma banana só já vai longe - que começa a formigar-me no estômago, acicatada por tanto pão fresco que a conversa deixou pairando no ar.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Amar abril

Abril chegou-me ainda gaiata a querer ser mulher. Abril chegou-me, de longe, a dois mil quilómetros de distância, sem alarido maior e numa leve inconsciência do que rasgava, do que trazia, do que abria, do que soprava então. Só nas férias grandes dei um pouco mais por ele. Vi-o em agosto, pespegado nos olhos dos casais de namorados que, nas ruas das aldeias portuguesas, se mostravam ao mundo, já sem sombra de pudor.  


Abril

No teu sorriso, o rubro do cravo
No teu olhar, a luz de ser livre
No teu abraço, o conforto seguro
Na tua mão, a força de seguir
Na tua presença, o tempo de amar
No teu beijo, um fruto doce e maduro.

domingo, 23 de abril de 2017

Passeio de domingo (354)



Aproveito um passeio de domingo que estava nos rascunhos do blog desde o final do verão passado. Melhor dizendo, já era outono, porque foi em outubro, num dia em que os nadadores-salvadores da concessão arrumaram as espreguiçadeiras para o fecho oficial da praia. Aqui fica, antes da abertura oficial que já não tarda.








Os livros

Meses atrás, excetuando a praia ou a sombra do telheiro no verão, o meu local de leitura era a cama e a mesa de cabeceira acolhia, e continua a acolher, uma média de quatro a cinco livros empilhados que, à vez, me acompanham nos últimos momentos de vigília de cada dia. Quando dei cabo do pé e comecei a passar os dias inteiros na sala, para lá foram desviados das estantes do escritório, onde raramente subia, uns quatro ou cinco mais. Agora só lá estão três, mas sinto que, depois deles, outros tomarão o seu lugar e mesmo que não mais passe longos períodos no sofá, dali não arredarão as páginas nem seus marcadores. São uns verdadeiros “ocupas”, os livros. Quando se instalam, dificilmente são despejados.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ajudar é preciso

E há sempre forma de ajudar. Cada um como pode e sabe. Basta querer. Divulgo aqui o projeto Filhos do Desespero do blogger C.N. Gil, que visa ajudar crianças vítimas da guerra e da pobreza. Vale a pena querer. Vale a pena ajudar. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A gota rascunho


Coloquei uma recarga de tinta na caneta que, ao longo de quase quatro meses, esperou por mim no balde das canetas, dos lápis, dos marcadores, das réguas, das tesouras e outros artigos afins que moram no meu lado direito da secretária, no escritório do trabalho.

Tinha o aparo seco. Abanei-a, sacudi-a vigorosamente mas nem uma pinga de tinta conseguiu encontrar o caminho até ao papel. Olhei para a minha garrafa de água, também ela pousada no lado direito da secretária. Peguei-lhe e derramei uma gota do claro líquido sobre uma folha onde dançavam notas soltas de rascunhos vários. Fui mergulhando nela o aparo e logo se dispersou, em laivos coloridos, uns concêntricos, outros excêntricos, a tinta, toda ela sedenta e ansiosa por se espalhar em rios de palavras, consequentes umas, inconsequentes outras.

O efeito resultou artístico, adornado ainda pelo reflexo da fluorescência da lâmpada do teto. Diria até que foi um efeito mágico porque consegui ver naquela gota rascunho, como se de uma bola de cristal se tratasse, o brilho das palavras que um poeta escrevia no inverso do meu mundo.

domingo, 16 de abril de 2017

Passeio de domingo (353)


Hoje, mato as saudades do mar e das falésias. repescando um passeio que fiz pela praia dos Olhos de Água, na primavera de 2014.









sábado, 15 de abril de 2017

Doce


Em sábado de Aleluia, cumpro a tradição e ofereço-vos amêndoas. Que a Páscoa quer-se Santa, mas doce também.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Imagem primeira

O peito branco da andorinha brilhava ao sol enquanto ela planeava o seu próximo voo, pousada no cabo elétrico. Foi nesse preciso instante que eu abri a porta e saí de casa. Fixou-se me no olhar aquele brilho, aquele branco, num perfeito contraste com o negro elegante das suas asas. Fixou-se-me de tal modo que até agora me acompanha esta que foi a primeira imagem do meu dia.

domingo, 9 de abril de 2017

Passeio de domingo (352)


Enquanto não volto a calcorrear montes e vales, continuo a socorrer-me da máquina do tempo para voltar a passeios antigos. Hoje voltei a abril de 2015 e à lagoa dos Salgados.








sábado, 8 de abril de 2017

Carta


Escrevo-te em azul noite. É azul do mais profundo que encontrei. Acendo também uma lua para que, à sua luz, melhor me possas ler.

Regressos

Estou num regresso lento. Condicionada na mobilidade, limito o raio de ação. Não posso ir, colho o que vem. E o que vem é tão variável que vai da extrema atenção de uns à total indiferença de outros. O estranho é que na escala das emoções, daquelas que se sentem fisicamente, ali numa correnteza entre o peito, a garganta e os olhos, sinto os extremos do mesmo modo. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Encontro de blogs com gente dentro

Neste vasto, diverso e misterioso mundo dos blogs, há lugar para leituras, para aprendizagem, para contemplação, para divertimento, para discussões, para troca de ideias e para interação virtual. Há afinidades que se desenham, há amizades que germinam. Neste vasto mundo dos blogs há gente conhecida, há gente pública, há gente que nunca se chega a conhecer e há gente que nunca se quererá dar a conhecer. Mas há quem queira e para isso promova passagens do virtual para o real com encontros de bloggers.

Eu conheço um grupo de bloggers que se reúne regularmente. Os que conheço são gente boa, amiga, divertida. Já participei num desses encontros e hoje venho divulgar aquele que se vai realizar em Braga – é já o 5º -  no dia 30 de abril 2017, numa organização da Afrodite (Jardins de Afrodite) e da Maria Araújo (Cantinho da Casa).

Desta vez, parece-me que não terei condições de participar mas está tudo explicadinho aqui e aqui, para quem se quiser juntar a estes blogs com gente dentro.



terça-feira, 4 de abril de 2017

A camisa de xadrez

A rapariga, aluna da escola secundária que está mesmo ali ao lado, entra no café onde faço uma refeição de sopa e bifana.  Da minha mesa ao lugar onde ela se encontra conversando com uma colega, distam poucos passos e até lhe poderia ouvir o assunto em debate. No entanto o único motivo do meu interesse é a camisa de xadrez que traz vestida. Apenas veste a camisa de xadrez, deduzo eu, na total impossibilidade de perceber se por baixo dela tem, pelo menos uns calções. Por baixo da camisa de xadrez apenas vejo a barra de reforço das collants de Lycra cor da pele, rematadas nos pés por um par de sapatilhas. A camisa é bonita mas por muito que me esforce em perceber a estética de se usar apenas uma camisa de xadrez, não chego lá.

domingo, 2 de abril de 2017

Passeio de domingo (351)


Passeio intra-muros. É fraquinho mas é o que se arranja à volta de casa, sem sair portão fora.








sábado, 1 de abril de 2017

Corte

Caem-me os cabelos sobre os olhos. Não aguento o comprimento da franja. O corte está impossível. Crescem-me ideias de mudança. Imagino milagres com tesouras. Curto. Penso muito curto. Mais curto ainda. Já foi curto uma ou duas vezes. Lembro-me que não gostei. Mas há um diabo em mim. É um diabo roedor. Rói-me a memória. Dia após dia vai roendo afincadamente. Temo não faltar muito para que eu fique com a memória curta.

Nora

Depois de Nora andar à nora à procura da nora, acabou por encontrá-la junto à nora.


[Eu sei. Isto vai de mal a pior]