terça-feira, 25 de abril de 2017

Amar abril

Abril chegou-me ainda gaiata a querer ser mulher. Abril chegou-me, de longe, a dois mil quilómetros de distância, sem alarido maior e numa leve inconsciência do que rasgava, do que trazia, do que abria, do que soprava então. Só nas férias grandes dei um pouco mais por ele. Vi-o em agosto, pespegado nos olhos dos casais de namorados que, nas ruas das aldeias portuguesas, se mostravam ao mundo, já sem sombra de pudor.  


10 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Também a mim me chegou longe.
Um abraço

Graça Sampaio disse...

A mim chegou-me mesmo ali. Em Lisboa. Só dei conta dele no dia seguinte... Que leveza no ar!

bea disse...

Creio que o espírito de Abril, para quem não estava politizado, foi chegando aos poucos e em tanta coisa diferente que a mesma vida nos parecia outra.

Célia Rangel disse...

Marcas cidadãs que emolduram nosso viver...
Abraço.

Pedro Coimbra disse...

Não há comparação possível entre o Portugal de 24 de Abril de 1974 e o actual.
Com tudo o que ainda há para fazer, com todos os problemas existentes, qualquer comparação é até descabida e desonesta.
Tinha 10 anos, estava para ir para o Colégio.
Afinal não havia aulas.
Só muito mais tarde percebi porquê.

CCF disse...

Gosto muito dessa imagem dos namorados de aldeia para significar Abril.
~CC~

luisa disse...

Elvira,
Eu era miúda e para além de não ter consciência política vivia fora de Portugal, de modo que naquela altura não vivi propriamente aquele espírito de libertação.

Graça,
Acredito que no próprio dia, muita gente não acreditou que era mesmo o fim da ditadura.

Bea,
Imagino que, de facto, muita gente só aos poucos foi tomando consciência do alcance de abril.

Célia,
Mais do que marcas, um marco fundamental da história deste país.

Pedro,
Sem dúvida que nada é como dantes. E até foi uma transformação bastante rápida, considerando o atraso em que estava o país.

CC,
Foi uma imagem que me marcou mesmo porque vi, pela primeira vez em Portugal, atitudes que em França, onde eu vivia, eram absolutamente naturais e corriqueiras, mas que por cá não era comum ver.

Manuel Veiga disse...

bela memória!

luisa disse...

Manuel,
Mas falha-me mais do que eu desejaria... :)

Ana Freire disse...

Belíssima forma, com uma memória tão especial, de assinalar este dia tão emblemático!
Eu era muito miúda... mas lembro-me que nesse dia, o meu pai estava super feliz... embora eu não tivesse ordem para pôr um pé fora de casa... que ele não deixou...
Beijinhos
Ana