quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ladainha do tempo perdido

Era para dizer mas
Não disse.
Era para escrever mas
Não escrevi.
Era para beber mas
Não bebi.
Era para ver mas
Não vi.
Era para ir mas
Não fui.
Era para escutar mas
Não ouvi.
Era para fazer mas
Não fiz.
Era para viver mas
Morri.

17 comentários:

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

Os constantes adiamentos de tudo :)

redonda disse...

E eu a rever-me na ladainha, queria outro fim...

Ava Pain disse...

Ai, ai, Luisa, nem sei se devia ler isto hoje.

A Princesa e a Ervilha disse...

A vida vai sendo feita de escolhas, mesmo quando adiamos...

Mar Arável disse...

Não te deixes morrer
sem ousar a vida

Pedro Coimbra disse...

Uma ladainha algo triste, não é?
Bfds

Carmem Grinheiro disse...

Lindo, Luisa.
E tão nosso, para nosso desassossego...

bj amg

Teresa Borges do Canto disse...

há uma pequena morte em tudo o que se não faz, que afinal é a vida

heretico disse...

o tempo de facto está deprimente...
mas há sempre uma nesga de sol e um sorriso
(ainda que tímidos... rs)

beijo

Rui Espírito Santo disse...

O triste epílogo da morte ! ... Porquê deixar de ir fazendo na vida o que gostamos, adiamos constantemente aquilo que queremos, desperdiçamos o tempo, como o fazemos ,,, "depois" devia ser banido dos nossos pensamentos !
A vida é o "Agora" ! ... Vivamos cada momento como se fosse o último dia !
Quanto mais não seja, vamos envelhecendo e para muitas coisas o amanhã já é tarde !

Um beijo, Luisa ! :)

Benó disse...

Os "MAS" do nosso dia-a-dia. É urgente banir as dúvidas e as negatividades que estão dentro de nós porque é preciso VIVER, aproveitar todos os momentos pois pode não haver um amanhã.
Um abraço, Lusa

Isabel Pires disse...

Também se morre aos bocadinhos.

bea disse...

Como poema, vale. Que, na realidade, todos os homens dizem e não dizem; vêem sim e não. E etc. Vamos arrepender-nos de coisas que não fizemos, mas daremos graças por não termos feito outras. No fim, mesmo só para cair o pano, morremos. Porque, como disse uma certa senhora e também um certo filósofo, morrer é o contrário de estar vivo (ele acrescentou que os opostos se atraem e mais umas coisitas, pronto). E a morte pertence a todos os seres vivos.

Tem razão a Isabel, aqui mesmo acima, tb se morre aos bocadinhos. Aliás, morre-se muito aos bocadinhos. ai doendo, doendo, mas o homem habitua-se às condições mais adversas. Meio morto, mas habitua-se.

Não faço ideia do que seja desperdiçar o tempo. Será não fazer nada? Ou fazer coisas pouco importantes, mas e se elas fazem falta, ou nos fazem bem à mente, ou nos fazem mais felizes...

Flor de Jasmim disse...

O tempo galopeia e cada vez mais "era para" "mas não".

Beijinho

Ana Freire disse...

Nós somos nós... e as nossas indecisões... todo o nosso tempo... até ao nosso fim...
Adorei esta ladainha...
Beijo
Ana

deep disse...

Este teu texto, de que gosto, lembra-me o "Rifão quotidiano" do Mário Henrique Leiria e um texto do Gonçalo M. Tavares do livro "O Senhor Brecht". :)

Bjs e bom fim-de-semana

Tétisq disse...

Era para viver mas, deixei-me morrer...