quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Arte e compras


Por estes dias, em Faro, quem for à baixa fazer compras, pode simultâneamente apreciar obras de arte assinadas por João Cutileiro, José de Guimarães, Gervásio, Nuno Santiago Jean Marie Boomputte, Igor Oleinikov e Alfredo Garcia Revuelta. Estão expostas em algumas lojas, numa organização do Centro Cultural São Lourenço. É uma forma singular de dinamizar o comércio naquele local.

Gosto da ideia.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A culpa não é do tempo

Por muito que eu me queixe da falta de tempo, a culpa não é do tempo. Não é ele que está em falta. Eu é que deveria ter mais braços, mais pernas, mais cabeças. Eu é que deveria poder desdobrar-me para poder estar a fazer os pompons de lã que ainda quero pendurar na minha árvore de Natal e ao mesmo tempo organizar os presentes, mas também conseguir colocar ordem na cozinha e ainda arrumar a marquise e não deixar de ler o Livro que está a chamar por mim…

Não, a culpa não é do tempo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dactilografia

Não digo que seja sempre, mas muitas vezes, quando passo pela Rua General Teófilo da Trindade, em Faro, procuro lembrar-me em que prédio funcionava aquela escola onde, há trinta anos atrás, frequentei o curso de dactilografia e mecanografia que, conforme o certificado que então recebi, me deixou apta para o desempenho das funções inerentes ao mesmo.
Era a Contecla.
Da próxima vez que por lá passar já vou poder localizar o edifício, porque hoje encontrei a pasta com a documentação associada ao dito curso e, no carimbo que sela o meu vistoso certificado, consta que o número da porta era o 45, o andar o 2º, o lado o esquerdo.
Na época, eu estava a terminar o secundário e ainda não sabia muito bem qual seria o meu futuro. Havia que assegurar a aquisição de competências que me permitissem com maior facilidade arranjar um bom emprego e, claro, a dactilografia surgia como essencial. Em 1980, eu nem sonhava com o computador, amigo inseparável de hoje em dia.
Então no verão de 1980, lá ia eu de comboio para Faro, aprender a escrever à máquina com todos os dedos das mãos. Fui treinar tabelas, actas em papel azul de 25 linhas, cartas oficiais, facturas e recibos. Fiquei apta, com 16 valores.
O meu curso de dactilografia da Contecla ainda me terá servido para elaborar os trabalhos da faculdade e, no início da minha vida profissional, para fazer alguns ofícios e comunicados que se compunham sob a batida cadenciada das teclas da máquina de escrever. Depressa chegariam os PC. Com o tempo fui deixando de aplicar as técnicas aprendidas e a minha aptidão resvalou para cerca de metade dos dedos disponíveis.

Hoje encontrei a minha pasta de exercícios de dactilografia, guardada nos fundos de uma mala de metal com os fechos enferrujados. Numa das folhas foi treinada a frase:

…nem todo o que escreve à máquina virá a ser um dactilógrafo…

Pois é. E eu, nem mesmo aprendendo a escrever à máquina com técnica, me tornei dactilógrafa.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma ovelha de presépio para o Grande Concurso da Barbearia

Abriu o Grande Concurso de Natal da blogosfera... e é impossível resistir ao desafio lançado pela Barbearia do Senhor Luís que, nesta edição 2010, chama as ovelhas de presépio à competição. Não me quis atrasar na tarefa e lá fui remexer nas caixas empoeiradas que guardam as figurinhas do Natal. Vá lá... encontrei uma ovelha. Olhando bem para ela, não há dúvida de que é uma ovelha... apesar da extremidade do focinho se assemelhar um pouco à de um porco. Deve ser obra de algum feitiço cá de casa, porque este já não é o primeiro objecto que desencanto e que apresenta o mesmo problema.
Em todo o caso, acho que está apta para desfilar na passerelle da Barbearia e atrevo-me a esperar uma boa classificação.
Vão lá, atentem no regulamento, e participem. É que para além do convívio... os prémios são mesmo muito bons!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

José e Pilar (2)

Quem estiver no Algarve a ainda não tenha visto o filme José e Pilar de Miguel Gonçalves Mendes pode fazê-lo até ao próximo dia 7 de Dezembro, já que se mantém em exibição até essa data no Algarcine, em Olhão. Uma boa forma de conhecer melhor Saramago.

Os patins

Houve um Natal em que ganhei uns patins. Eu devia ter uns dez ou onze anos e lembro-me que foi o presente que mais me desapontou em toda a minha vida. Acho que me desapontou muito mais do que aqueles presentes que ganhamos todos os anos, das tias. As camisolas de interior. As meias. Os lenços de assoar. Esses são presentes que nós já esperamos ganhar e que antes de os receber já estamos conformados com eles. Depois de os receber, então, até verificamos o jeito que dão em muitas ocasiões.

Mas no Natal em que eu tinha uns dez ou onze anos eu não gostei nada de receber uns patins. Acho que até chorei. A minha prima V. também ganhou uns iguais. Não me lembro se ela gostou ou não. Eram uns patins de quatro rodas, sob uma estrutura metálica de duas peças que encaixavam uma na outra permitindo ajustar a plataforma a vários tamanhos. Umas correias de cabedal apertavam sobre os sapatos segurando os patins aos pés. Que desiludida fiquei. Eu queria lá patinar. Medricas como era, nem me atrevia a calçá-los. Teria preferido uma Barbie. Mas nessa época nem pensar em fazer trocas. Tinham-me calhado uns patins e pronto. Só bastante mais tarde me lembro de os usar. Hoje até queria ter uns patins daqueles. Não que me visse agora a deslizar sobre rodinhas. Mas tenho saudades. Saudades de mim.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A vida secreta dos objectos - O anjinho de Natal



Afinal foi falso alarme. Ainda não foi hoje que ela me pendurou na árvore de Natal. Quando ela levantou a tampa da caixa, o meu coração disparou. Achei que tinha chegado a hora e que finalmente ia respirar outro ar, que ia poder observar o movimento diário aqui de casa, pelo menos durante algumas semanas. Mas não. Só veio remexer nas bolas e nas correntes de luzinhas, como quem inspecciona o seu estado, só para decidir o que vai utilizar. Não foi hoje, ainda, que ela armou a árvore de Natal. Voltámos todos para as caixas, sem saber o que vai acontecer este ano e quem vai ser escolhido para a festa. Já vai para dois anos que nem eu, nem as bolas de “papel machê”, temos a sorte de passar o Natal fora da caixa. Foi desde que ela arranjou umas figurinhas de renas, estrelas e pinheiros de feltro. Eles é que têm estado de serviço. Eu já nem me aguento, com as dores que tenho nas costas de estar para aqui enrolado anos a fio. Ai, a inveja que eu tenho dos outros anjos cá de casa! Mesmo aqui por baixo da nossa caixa, na porta do louceiro está um, dependurado na chave, com as suas franjas de seda a balouçar. No quarto, vivem uma série deles. Uns estão pregados na parede, outros espalhados sobre uma mesa, dois sobressaem de pequenos quadros. Eles sim, têm vida. São anjos diários. Têm trabalho fixo. Já eu tenho que me contentar com esta breve passagem anual, em que durante alguns dias nos cantam glórias, mas que assim que acaba a festa, nos arrumam num canto escuro e não mais se lembram de nós.
Publicado também para a Fábrica de Letras

domingo, 28 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Este post não é para dietas

Há dias, um colega teve a esplêndida ideia de levar para o trabalho uns quantos merengues e uns Dom Rodrigo confeccionados por uma tia. Todos abençoámos a tia e tivemos um lanche especialmente doce e calórico que nos alegrou o dia e preencheu o intervalo com conversas relacionadas com a gulodice. Mas se eram bolos o que comíamos, acabámos por falar sobretudo de pão e de alguns “condutos” invulgares que cada um de nós gostava de lhe juntar.

Eu, por exemplo, gosto de fazer sandes de chocolate. Coloco uma barrinha dentro de um papo-seco com manteiga e já está. Esse meu colega dos Dom Rodrigo surpreendeu-nos com a sua versão de sandes de banana. No que toca a fruta para comer com pão, eu sou mais uvas, mas também há quem opte por laranja.

A dado momento, alguém falou de uma “especialidade” que eu talvez prefira designar como “simplicidade” e que me lembro de comer quando criança. A lembrança instalou-se, insidiosa, nos fundos do meu pensamento e não descansei até que hoje me banqueteei com o tal lanche.

Cortei uma fatia de pão, barrei-a com manteiga e salpiquei-a de açúcar. Uma delícia.