segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Apito

Piiiip. Como um apito. É um só e isolado apito que, por isso mesmo, nunca conseguirei gravar. Nunca é esperado. Não tem repetição imediata mas não há quase dia nenhum que o não ouça. Estou sentada no muro baixo do pátio, antebraços descobertos, a trabalhar com o sol na minha síntese diária de vitamina D e, de repente, piiiip. Dois segundos, não mais. Nada vejo, nem um voo de pássaro. E eu acho que é um pássaro que assim pia. Mas como sabê-lo? Como comprová-lo? Já vasculhei o Google de piiip a piiip, que é como quem diz de ponta a ponta, já corri as vocalizações de aves disponíveis em site da especialidade e nada. Formulo uma e outra vez a pergunta no campo de pesquisa, mas nada. Nada corresponde. Em tempos, cheguei a pensar que seria um alarme. Mas que alarme apita por dois segundos e se cala de imediato? Coloquei já essa hipótese de parte. É uma ave, acredito. Uma qualquer ave desconhecida que resolveu piar assim só para me baralhar e me fazer escrever este post, correndo eu o risco de passar por alucinada.

12 comentários:

bea disse...

A piscina dos meus vizinhos tem esse piiii insubordinado.

Célia Rangel disse...

Fiquei curiosa... Seria uma coruja? Talvez...
Abraço.

Majo Dutra disse...

Que mistério emocionante, Luisa!
Nem o teu pai, nem os antigos conhecem?!
Fico esperando maia notícias deste raro acontecimento!
Uma semana muito agradável.
Beijo ~~~~~~~~~~~~

Pedro Coimbra disse...

Não passa nada por alucinada porque eu também um estupor de uma pássaro assim ao pé de casa.
E só pia de manhãzinha e à noite.
Alucinado é o pássaro!!

Chic' Ana disse...

Por vezes cruzamo-nos com sons dificeis de descortinar... Os pássaros afzem os sons mais estranhos que se podem imaginar... Pode muito bem ser um passarinho!
Beijinhos

luisa disse...

Uma piscina, bea? Há aqui uma mas não vejo de onde possa proferir o tal pio. :)

Uma coruja não é, Célia. Conheço-lhe o piar.

Majo, é algo me intriga há já bastante tempo mas não é fácil explicar a quem não está no preciso momento do tal apito. Só o meu marido já ouviu mas também não identifica a origem.

Pedro, poderá esse ser aparentado ao de cá? :)


Chic'Ana, o estranho é ser um único pio de cada vez. Depois só o volto a ouvir horas ou dias mais tarde.

mz disse...

É a dúvida que fica e a curiosidade de querer desvendar o que nos parece ser algo comum ou único. Trabalhar a curiosidade enriquece o ser humano.

:)

Gaja Maria disse...

Esse apito foi para aí para apitar-te os sentidos, de certeza :)

Manuel Veiga disse...

a Coruja (de Minerva) "apita" ao anoitecer.

enfim, dizem!

luisa disse...

mz,
Mas olha que nunca mais consigo satisfazer esta curiosidade... :)

GM,
Fico toda alerta com o malvado do apito. :)

Manuel Veiga,
Não é coruja, mas que "minerva" não saber o que é, lá isso enerva. :)

Ana Freire disse...

Não deverá ser um melro... têm um piar bem estridente... mas contínuo... acho que não!
De qualquer forma, inspirou um belo post, o passareco!
Beijinhos
Ana

LuisY disse...

Achei piada a este texto, que parece uma adaptação moderna do "Batem, batem levemente, como quem chama por mim" do Augusto Gil