segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A vida secreta dos objetos - o batedor de ovos



Quando ela me agarrou para bater os ovos em omeleta, bem percebi como me recriminava com o olhar questionando a minha má disposição. Que mau feitio era este que transparecia na minha expressão agastada? Ora essa… era o que mais faltava! Então havia de estar bem disposto se fazem de mim o carrasco dos meus familiares e amigos. Não se lembraram de nada melhor do que um ovo para bater nos outros ovos? Isto da imaginação humana tem muito que se lhe diga. Acham graça, não? Pois paciência se tiverem que me ver sempre de ar zangado. Porque é que não pensaram noutro boneco para assumir este papel? Não viram logo que esta era uma invenção de mau gosto? Se soubessem o sofrimento por que passo. Sou olhado de lado pelos meus amigos. Vivo só, numa gaveta cheia de outros utensílios de cozinha. Gente fria, sem alma. E de cada vez que me colocam sobre a bancada e me aprontam para a função, vejo como os ovos que vão saindo da casca para o recipiente me abominam. A minha vida não está para sorrisos. Aguentem-me.

6 comentários:

Naná disse...

Pobre ovo batedor! Está prestes a cometer "ovícidio"...

redonda disse...

Realmente, assim não admira que não esteja animado :)

Teté disse...

Eheheh! Um verdadeiro Calimero, ainda em forma de ovo... :)))

Briseis disse...

Amoroso! =) quero um igual!!!
E tão sensível ele é! Mais sensível que muita gente que aí anda, que não tem problema nenhum em esmagar os outros...

ariel disse...

É a dele a nossa Luisa, a vida não está mesmo para sorrisos. Adorei.:))

Anónimo disse...

Já tinha saudades da vida secreta dos teus objectos!
Rog