terça-feira, 17 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Em espera
Aqui estou eu, de novo acomodada com uma dose suplementar de
paciência, as ilusões aplacadas para caberem na algibeira sem risco de
transbordo, apertadinhas contra um lenço de papel. A realidade impõe a sua lei
e os desejos não têm alternativa senão a da espera. Espero, então. Pela janela
vejo, ao longe, traços brancos de avião que brilham ao sol. A menor distância,
dois pássaros balouçam nos fios do telefone durante alguns segundos e seguem o
seu voo. Não esperam por mim.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Passeio de domingo (340)
Mais um flashback, desta vez até janeiro de 2015, para recuperar um passeio por várias praias da costa de Albufeira, em domingo de sol e céu azul.
Reciclagem
Na cozinha, a minha sogra atarefa-se de volta de um caldo
verde e na preparação de uns biscoitos com restos de papas de milho. Não
encontrou lenço para acomodar os cabelos. Resolveu a questão com um saco de plástico
fino, um entre os muitos que trazem a fruta para casa e que eu guardo cuidadosamente
enrolados, para reutilização.
sábado, 14 de janeiro de 2017
Determinação
Abro páginas ao lado de páginas. Navego de uma para outra.
Rolo-as de cima para baixo, de baixo para cima. Contam-me histórias de hoje e de
ontem e de antes de ontem. Leio histórias mais ou menos interessantes. Mais para
menos que para mais. A culpa pode não ser das histórias. Na verdade, tenho a
certeza que o problema não é das histórias. É em mim que falta o interesse. Insisto
em despertá-lo passando para novas páginas, incrustadas nas primeiras. Procuro
avivá-lo mas está amorfo. Determinadamente amorfo.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Limões
Da minha janela vejo dois limoeiros.
Estão carregados de limões. Penso naquela máxima de profundidade facebookiana
que, estando a vida (neste caso é mais a vista) a dar-me limões eu deveria
aproveitar para fazer limonada. Não sei quem é o infeliz autor do mandamento
mas se o calor do verão estivesse por perto até me veria a prepará-la e a refrescar-me
com a singela bebida. Embora não sinta aqui os rigores do inverno, seria talvez
mais apropriado aproveitá-los - aos limões - em chá. Não fosse, claro, dar-se o
caso, como se dá, de eu não apreciar chá de limão. Poderia ainda, adicionando
outros ingredientes que não apenas água, preparar algo mais elaborado.
Confesso-me, por exemplo, de fraca resistência perante uma tarte de limão. Mas,
já se sabe, uma tarte de limão, sobretudo daquelas merengadas, traz associados
gravíssimos problemas de consciência. E eu, sem condições de procurar
rapidamente uma absolvição, não vejo alternativa senão conformar-me em ficar
aqui, à janela, simplesmente a olhar para a bonita cor amarela dos limões.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
O difusor
O difusor de aromas que coloquei há uns dois anos na casa de
banho de serviço funciona com pilha e reage ao movimento, de modo que sempre
que se entra naquele espaço, pffffff o difusor dispara. Ou disparava, porque a
pilha já não é o que era e praticamente já nem pffffia. Também há bastante
tempo que o aparelho carece de recarga de aroma. O facto é que aquele pfffiar
acabou por me aborrecer e entendi que antes queria substituí-lo por um difusor
discreto, de pauzinhos mergulhados em óleo de cheiro. No entanto, o tempo
passou e, confesso que por desleixo, o difusor a pilhas mantém-se no seu posto,
embora sem eficácia de função. Chego a esquecer-me de que está ali.
Sucede que há pouco, sem que nada o justificasse, eu aqui
sentada ao computador, sozinha em casa, nem a mosca sequer por cá anda, me sobressaltou
uma pfffffiadela. A sério, o difusor pfffiou que nem uma assombração e aqui estou eu,
agora, petrificada na minha cadeira, escrevendo o caso para ver se alguém,
entendido em fenómenos sobrenaturais, me pode facultar uma explicação.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Contraluz
Olho lá para fora, para o candeeiro de rua que encima o muro
de vedação da casa, e vejo, em contraluz, dois ou três finos fios de uma teia
de aranha. Cintilam ao ritmo do vento que os abana. Em contraluz também
rodopiam as asas de minúsculos insetos. Cruzam o ar, para lá e para cá.
Acertam-se, numa curiosa dança, com as suaves vibrações dos fios de seda da
teia. Abaixo, no poial, está o vaso cheio de uma suculenta em flor, onde cresceu
também, solitário, um dente-de-leão. De novo, é em contraluz que lhe vejo as
pétalas, já feitas asas, a voar e a desintegrar-se ao vento. Com elas, na mesma cadência,
segue, em contraluz, uma ideia transparente de eternidade.
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