quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A pose

Eu e a minha prima posando para a fotografia. Teríamos dez anos? Pouco mais. As duas, lado a lado, junto a um apoio de praia circular que havia naquela época. Era de madeira e assentava sobre estacas. A fotografia só mostra as estacas mas lembro-me bem.

Eu e a minha prima posando para a fotografia de biquíni. O dela era azul-escuro. O meu era azul-claro. Claro como o azul do céu. Como a boina que eu tinha nesse dia. Como o padrão que enfeitava o fundo cor de laranja de um vestido de praia que eu usava sobre o biquíni. Era um vestido de pano turco, aberto à frente. Fechava com molas mas, naquele momento, no momento da pose para a fotografia, estava aberto deixando ver o biquíni.

Eu e a minha prima posando para a fotografia. Ela muito direita, sem artifícios. Eu de mão apoiada na anca, de pernas ligeiramente afastadas, cabeça inclinada. Eu, verdadeiramente posando para a fotografia. Achando-me especial. Estrela. Modelo. Tudo na pose. Uma pose que ficou estacada ali na areia da praia e que a minha mãe colou, depois, numa página do álbum de fotografias. Uma pose que ficou guardada, fechada todos estes anos, até que hoje parei nela o meu olhar. Fixei-me naquela pose. Pequena pose de vaidade, “meia-leca” de gente vestida com cores de verão quando a vida era leve e eu sonhava com o mundo.

Eu e a minha prima posando para a fotografia. Uma pose guardada para sempre no álbum de novo fechado.

16 comentários:

Catarina disse...

Podemos ver essa fotografia? : )

luisa disse...

Poder...podiam, Catarina. Mas não era a mesma coisa, pois não? :))

Catarina disse...

: )

Teté disse...

Também fui descendo o cursor para ver a foto! Porque será que temos esta cusquice nata? :)

Mas é isso mesmo, como dizia o slogan da extinta Kodak, as fotos servem "para mais tarde recordar"... :D

Beijinhos!

luisa disse...

Pois é, Teté... somos todos um bocado "voyeurs" e então aqui na blogosfera andamos sempre à coca de ver como são os outros. Ou pelo menos como se querem mostrar. :)

Rui Pascoal disse...

As estacas de madeira, são de pinho marítimo?
:)

luisa disse...

Isso não dá para ver, Rui Pascoal. Algumas até estão pintadas. :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E cadê a foto, Luísa? Estava à espera de a ver no final do post e OHHHH!
Estou a brincar, também não costumo colocar fotos minhas, embora não saiba muito bem explicar porquê.

Maria Emilia Moreira disse...

Afinal onde está a foto para podermos comentar?!
Isto não se faz...
M. Emília

luisa disse...

Carlos Barbosa de Oliveira,

Por acaso até já por cá coloquei duas ou três fotos minhas, mas não sou muito dada a isso. :)

Maria Emilia Moreira,
Ai faz...faz... assim fica tudo em suspense :)


Rafeiro Perfumado disse...

Por acaso fiquei curioso com o apoio de praia circular, essas engenhocas fascinam-me... ;)

luisa disse...

Rafeiro Perfumado,
Mesmo que cá colocasse a foto, não conseguirias apreciar a estrutura. Na imagem só estão visíveis as estacas.

AC disse...

As memórias, uma espécie de vislumbre de alguns aromas que foram ficando pelo caminho...
Excelente texto, Luísa!

Beijo :)

redonda disse...

Também estava à espera de ver no final a fotografia...mas de certa forma, até a vi :)

luisa disse...

Obrigada AC.


Gábi,
É isso... sem a foto postada cada um a vê mentalmente. :)

Ângela Almeida disse...

lolll
Oh Luisa conseguiste deixar o ppl na expectativa :)
Mas ler o que escreveste o nosso cérebro cria a imagem :)
Kiss