domingo, 21 de março de 2010

Lembra-te de esquecer...

Afinal não sou só eu que me esqueço das histórias dos livros que leio. Nesta crónica ainda dou pela conveniência que isso representa, já que podemos redescobrir sempre maravilhosos trechos de literatura. Encantam-nos uma primeira vez e voltam a encantar-nos uma segunda ou mais vezes.

Em certas ocasiões, falando entre amigos sobre livros que já lemos, sei dizer que gostei muito deste ou daquele romance, mas com frequência tenho alguma dificuldade em contar a história. Quando isso acontece, é certo que não tardo a voltar a essa leitura. Posso redescobrir o mesmo prazer da vez primeira, ou não. Já me tem sucedido perder o interesse no enredo e questionar-me como foi possível eu ter gostado daquele livro.

Tal como Richard O'Mara, fico menos apreensiva com as falhas de memória, já que no que à literatura diz respeito posso sempre "desfrutar do constante prazer da descoberta". Por outro lado, também sei de quem repete infindavelmente as suas leituras preferidas, tal como crianças que querem sempre ouvir contar a mesma história ou que vêem incansavelmente o mesmo vídeo. Marcou-me, e acho até que me fez inveja, ouvir uma vez um professor meu dizer que relia todos os anos a sua obra preferida.

1 comentário:

Helga disse...

Luisa, creio que isso acontece com todos nós. Chego a ler o mesmo livro 2 e 3 vezes, apenas para perceber o que me fascinou tanto da primeira vez que o li. Acontece também com os filmes, sei que vi, que gostei, mas ás vezes é impossível contar a história.
Li um livro em tempos que se chama 'Pedro, romance de um vagabundo'. Sei que adorei, mas não me lembro de como começa, nem de como acaba. Já está na prateleira para ler de novo. No fundo não retemos as palavras, mas sim a sua essência e isso é que nos recorda se gostámos ou não.

Beijinhos e boas leituras :)