quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tempo

O tempo endoideceu naquela montra da baixa.

De um dia para o outro a montra encheu-se de relógios. Relógios de parede, relógios de cuco, relógios redondos, relógios quadrados, relógios despertadores, relógios e mais relógios. Todos com os ponteiros ensandecidos rodando a velocidades estonteantes. Uns rodam no sentido certo como se espera que rodem os ponteiros de um relógio. Outros fazem o percurso inverso, contrariando a lei dos mecanismos aprovada para o mundo da relojoaria. Da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda os ponteiros rodam furiosamente manifestando-se contra a ordem do tempo.

Fico parada a olhar a montra, fascinada pelo atrevimento das máquinas que servem de cenário para as meias que são o que se vende naquela loja. No bulício da sua frenética atividade não se ouve qualquer tic-tac. Os ponteiros deslizam velozes mas sem rumor. No entanto imagino ouvir certa algazarra, como se todos eles e cada um se estivesse a rir na minha cara. Como quem me diz que louca sou eu que não me liberto das peias do tempo.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Aquelas pessoas

Estão a ver aquelas pessoas que fazem afirmações falsas com tanta convicção que acabam por se convencer a elas próprias?

Estão a ver aquelas pessoas que nunca querem fazer “determinada coisa” porque não gostam, nunca gostaram, não suportam … mas quando lhes convém, nem que seja por graxa ao chefe, fazem-no com todo o deleite?

Estão a ver aquelas pessoas que quando contrariadas acusam os outros daquilo que lhes é imputado?

Estão a ver aquelas pessoas que para se afirmar perante quem manda não hesitam em denegrir quem está ao lado?

Estão a ver aquelas pessoas…?
Pois há dias em que não tenho paciência.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Calor

Hoje sinto-me assim.



"O calor, como uma roupa invisível, dá vontade de o tirar"
in Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

E tu, que tosta queres?

Num destes dias resolvi encomendar uma tosta de frango para o meu almoço, ali na pastelaria que está junto ao meu local de trabalho. O dono da pastelaria, embora estando já meio careca é com toda a certeza mais novo do que eu. Aproximei-me do balcão e disse-lhe que pretendia encomendar uma tosta para as 12h30. Ele perguntou-me “como é que te chamas?” e “que tosta queres?”. Depois anotou diligentemente num post-it amarelo o meu nome e as iniciais do meu serviço. Assim sendo, ele não me confundiu com nenhuma jovem estudante da secundária que fica na rua da frente. Como também não mantenho nenhum tipo de convivência particular com o dono da pastelaria e nunca o tratei por tu, prefiro ficar “convencida” de que mantenho um ar de miúda.

Há dias em que gosto mesmo de me iludir.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pedras




Indiferentes ao calor, à crise, aos mercados, às agências de rating, ao feriado da República, ao cão que passa ao lado, aos pássaros em algazarra, aos grilos que ainda cantam de noite, ao vento e à poeira que leva, às vozes dos donos da casa e às das vizinhas tagarelas, estão cinco pedras no poial. Não sabem porque lá estão nem se lembram desde quando. Nem sequer pensarão. Não têm serventia. Não incomodam ninguém. E já ninguém as vê ali. Indiferentes são. Indiferentes estão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Passeio de domingo (68)





Neste primeiro domingo de outubro, na impossibilidade de chegar a casa em tempo útil para postar um passeio fresquinho - do dia - fui repescar um passeio que já tem um ano. Parece-me contudo que este cair de tarde na praia ainda está no prazo de validade.