domingo, 25 de setembro de 2011

Passeio de domingo (67)





Já andava com saudades de calcorrear as terras aqui por detrás de casa.

Sobram amêndoas e alfarrobas à espera do "rabisco", aprontam-se as azeitonas para a colheita e fico com as pernas numa lástima de arranhões. Quem mandou ir de calções?









sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Glycol

Já não se fazem produtos de beleza como antigamente.
Folheando um Almanaque dos anos 1940, descobri o fabuloso Glycol. Segundo o anúncio, esta maravilha amaciava a pele, dava aos lábios a maior frescura, evitava o cieiro, dava a todas as peles o raro encanto da mocidade, curava o crestado do sol e o queimado da praia, bem como todas as impurezas e estragos da pele… e ainda era um excelente fixador para o pó de arroz. Numa fórmula inédita da VAP – Ventura d’Almeida e Pena, o Glycol, então proclamado o ideal da pele, só podia ser um daqueles produtos que todas nós merecemos.
Não sei até quando foi comercializado. Mas eu, nascida nos anos 60 já não vim a tempo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Informando

A oficina é grande e arejada. Tem sala de clientes com cadeiras e mesas de apoio. Está calor lá dentro e as revistas disponíveis são só sobre pneus e afins. Não fico lá. Saio à rua e espreito o movimento. É fim de tarde e, no espaço ajardinado junto aos prédios da frente, há mães e pais que passeiam os filhos. Volto a entrar na oficina e enquanto aguardo que me alinhem a direção do carro vou espiando os inúmeros exemplares de jantes expostas junto à parede, vou observando os certificados de qualidade afixados na zona da receção, o organograma da empresa, os fluxogramas do serviço, os anúncios promocionais. Fixo finalmente o olhar num aviso colado junto à entrada da receção de clientes e começo a ler.
“Somos a informar os nossos estimados clientes blablablabla…..”
“Somos a informar”. Tal e qual como alguns colegas meus que só sabem responder a ofícios começando com esta fórmula. “Em resposta ao pedido de V.Exa. somos a informar que…….”
Ahrrrr… Então não é mais simples escrever: “Informamos que….” ?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Leituras

O bicho-homem é de manias e cada pessoa tem os seus hábitos peculiares. Cada pessoa tem o seu modo próprio de ser e de ler.

Já aqui o contei: por mim gosto de ler recostada na cama. Mas também me serve o sofá, ou a mesa da sala, ou a mesa da cozinha, ou o banco do jardim, ou a areia da praia, ou o lugar no comboio… Há um sítio, porém, em que nunca li nem me vejo a ler algum dia. Pior, não consigo entender como é que há pessoas que leem ali.

Expliquem-me porque é que há pessoas que gostam de ler na casa de banho. Na sanita, para ser mais precisa. Na sanita? Se há local por onde procuro passar o mais rapidamente possível é esse. Poderão argumentar que é local para uma leitura fugaz, breve, ligeira, superficial até… Seja qual for o tipo de leitura, eu, definitivamente, não percebo quem gosta de ler nesse assento.


Imagem daqui

domingo, 18 de setembro de 2011

Passeio de domingo (66)





Este é mais um passeio de domingo agendado previamente já que hoje estou de novo fora de rota, em afazeres menos domingueiros.


Façamos então de conta que vamos até à Praia do Barril, em Santa Luzia, Tavira. Pode não parecer… mas, juro, isto é tudo a caminho da praia.










sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A fonte e o poço

A minha terra ficou famosa quando, há uns anos atrás, o país resolveu escolher um Primeiro-ministro nascido lá. Ficou ainda mais famosa quando alguém achou que o sítio da Fonte de Boliqueime não era Fonte mas sim Poço e que só por obra de ser terra natal do “dito-cujo” é que teria sido “promovida” toponimicamente, como se a categoria, de Poço fosse claramente inferior à categoria muito mais bem vista de Fonte de Boliqueime.
Ficou para sempre a anedota, que se tem perpetuado anos a fio e que continuo a ver citada e replicada em mil e um comentários por esta imensa rede fora.
O certo é que toda a minha vida ouvi os meus familiares e vizinhos referirem-se àquele local da terra como “fonte”. Está bem… não sou assim tão velha, mas já era bem crescida quando nasceu o mito do Poço de Boliqueime.
Hoje, lendo uma notícia sem qualquer relação com Boliqueime, encontrei assim mesmo um comentário… daqueles habituais comentaristas de serviço, que repescava a história da fonte e do poço.
Olhei para a estante de livros ali ao lado e agarrei na “Monografia de Loulé” do Francisco Xavier d’Athaíde de Oliveira. Fui folheando este fac-simile de uma edição de 1905 até encontrar o capítulo relativo à freguesia de Boliqueime. E lá está o seguinte:
“Na séde da freguezia não tem hotel ou hospedaria, mas a pequena distancia, à fonte de Boliqueime, tem uma casa que recebe passageiros”

Se também lhe chamaram Poço, não sei. Mas se algum linguista, especialista em toponímia, passar por aqui e resolver investigar a coisa, não deixe de me comunicar as suas conclusões. Não é por nada. Só gostava de saber.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Inferno?



Fica no concelho de Tavira e é uma das quedas de água da ribeira da Asseca. Passando a expressão... porque diabo lhe terão chamado Pego do Inferno? A mim parece-me antes um pedacinho de paraíso.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A vida secreta dos objetos - o batedor de ovos



Quando ela me agarrou para bater os ovos em omeleta, bem percebi como me recriminava com o olhar questionando a minha má disposição. Que mau feitio era este que transparecia na minha expressão agastada? Ora essa… era o que mais faltava! Então havia de estar bem disposto se fazem de mim o carrasco dos meus familiares e amigos. Não se lembraram de nada melhor do que um ovo para bater nos outros ovos? Isto da imaginação humana tem muito que se lhe diga. Acham graça, não? Pois paciência se tiverem que me ver sempre de ar zangado. Porque é que não pensaram noutro boneco para assumir este papel? Não viram logo que esta era uma invenção de mau gosto? Se soubessem o sofrimento por que passo. Sou olhado de lado pelos meus amigos. Vivo só, numa gaveta cheia de outros utensílios de cozinha. Gente fria, sem alma. E de cada vez que me colocam sobre a bancada e me aprontam para a função, vejo como os ovos que vão saindo da casca para o recipiente me abominam. A minha vida não está para sorrisos. Aguentem-me.

domingo, 11 de setembro de 2011

Passeio de domingo (65)






Vá... hoje faço batota.


O passeio é da semana que findou ontem, mas acho que serve para este domingo em que tenho programa festivo na aldeia e não vou andar de máquina a tiracolo.


Digam lá se o Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina não são especiais?