É obra do filho de uma colega minha.
Partilho aqui este sonho desenhado, que me pareceu um verdadeiro poema visual.

“O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
E devo ainda atribuí-lo a pelo menos dez outros blogs. E esta, para mim, é sem dúvida a parte mais difícil. Por um lado, muitos dos que eu gostaria de citar, já receberam estes Dardos. Por outro, sinto que vou sempre deixar alguém injustamente de fora desta minha escolha. Em todo o caso, não me vou agora acobardar e por isso, aqui vai, numa ordem perfeitamente aleatória:

São como flashes. De repente, certas imagens abrem-se como janelas na memória. Então vejo-me nitidamente como numa cena de TV. Vejo-me percorrer o caminho para a escola. Era uma vereda, entre velhos valados de pedra cinzenta. Tão cinzenta como a cor desse dia de vendaval. A chuva e o vento empurravam-me caminho adiante. Eu, frágil criatura de sete anos, meio amedrontada naquele ermo percurso, enfrentava o vento que retorcia as árvores. Gigantes troncos negros de densa e escura folhagem, as alfarrobeiras estendiam para mim os seus galhos retorcidos. Eu apressava o passo sem dificuldade, ajudada pela força da ventania. A chuva caía, cinzenta também. Eu fazia aquele caminho, sozinha, porque então, aos sete anos não era preciso a companhia da mãe. Não era levada para a escola pela mão. Já era suficientemente crescida. E no temporal, lá ia eu. O dia era baço. E na cena que se abre, nesta pequena janela das lembranças, apenas vibra a cor da minha capa. O meu impermeável, uma espécie de encerado que me protegia das bátegas, era azul.
Era azul-turquesa.