quinta-feira, 5 de outubro de 2017

História do príncipe Mar-Hà-Já e das pedras coração

Quando chegou a milésima segunda noite e todos os leitores dos quatro cantos do mundo temiam pela vida de Scheherazade, esta foi acordada como sempre pela sua irmã Dinarzade que, bem antes do sol nascer, lhe pediu para contar a história das misteriosas pedras em forma de coração, que o mercador Bendredi Ali tinha, anos atrás, trazido ao porto da cidade e que elas, com seu pai, tinham comprado e guardado num grande frasco de vidro. Scheherazade perguntou ao sultão se lhe permitia contar mais esta história. Tendo Schahriar consentido, pois andava já irremediavelmente viciado nas histórias de Scheherazade, ela começou assim:

Segundo Bendredi Ali, aquelas pedras coração tinham-lhe sido vendidas por um mercador chamado Adir, vindo das costas atlânticas. Adir teria recolhido dezenas daquelas pedras, de cores diversas, nos areais do reino de Atlantis onde se contava que eram mulheres encantadas.

Em tempos antigos, vivia naquele reino um príncipe chamado Mar-Hà-Já que se apaixonou por uma bela mulher plebeia. A jovem também se enamorou do príncipe e encontravam-se em segredo na praia, ao abrigo das rochas. Na verdade, existia um grande obstáculo ao seu amor. A jovem estava prometida a um grã-vizir das Índias Orientais como forma de pagamento de uma dívida de seu pai, e em breve seria levada dali pelo futuro marido. A única solução seria fugirem para um reino distante e assim pensaram fazer. Porém, duas meias-irmãs da jovem plebeia, roídas de inveja por não terem elas conquistado o coração do belo Mar-Hà-Já, denunciaram os planos dos dois amantes ao grã-vizir.  Na noite da fuga, brilhando a lua cheia sobre os rochedos da praia, a guarda armada do grã-vizir das Índias Orientais intercetou o casal que, para escapar, correu mar a dentro desaparecendo da vista dos seus perseguidores...


Neste ponto, estando o dia a despontar, Scheherazade não pôde continuar a história e agora não se sabe se sobreviverá à milésima terceira noite.


9 comentários:

papoila disse...

Uma história de encantar!
Também tenho uma pedra em coração e que neste momento não sei onde está! Vou procurá-la.
bjs

Tétisq disse...

o amor, que transforma a mais dura pedra num coração, encarrega-se de a salvar.

bea disse...

Pois, são histórias em cadeia, por isso ela não morre; deixa sempre algo que vai completar no dia seguinte:). Vive do vício do sultão.

alexandra g. disse...

:)

Célia Rangel disse...

Ah! O amor transforma corações de pedra... amorosamente...
Abraço.

Pedro Coimbra disse...

Gostei muito desta história de encantar.
Bfds

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma história onde o amor fica gravado para sempre!?
Gosto do olhar!!!bj

luisa disse...

Tenho para mim que Mar-Hà-Já e a sua amada se fundiram com o mar e conduzidos pelas ondas, maré após maré, vão rolando e esculpindo as pedras até que que elas tomem a forma de coração... :)

papoila, Tétisq, bea, alexandra g., Célia, Pedro, Gracinha:

Muito obrigada por terem parado por instantes nesta pequena praia...

Graça Sampaio disse...

Que linda história de amor...