sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Rascunhos


Folheio o meu caderno de escritas e lamento-me em silêncio por vê-lo tão rasurado. Mas, na verdade, é só um caderno de rascunhos e é isso que acontece com os rascunhos. Ficam rasurados. Uma palavra riscada, outra sobreposta. Um parágrafo solto com um sinal que o remete para o sítio onde deveria estar. Vai ser preciso passar tudo a limpo.

Folheio o meu caderno de escritas e fico a pensar que invejo quem é capaz de escrever sem rasuras. Sonho com um caderno de escritas aprumado, de letra certinha, de linhas fluidas. Folheio o meu caderno e lamento-me em silêncio por tantos erros. Tantas palavras que preciso corrigir, mudar de lugar, substituir. Fico a pensar que terei que me aperfeiçoar e que no próximo caderno que encetar vou ser mais cuidadosa. Vou escrever bonito. Bem pensado. Sem enganos.

Mas logo percebo que isso nunca vai acontecer. O meu caderno de escritas é como os dias que passam. Vai sempre haver pequenos tropeções. Posso até escrever um ou dois parágrafos sem percalços mas, nalgum ponto, acabarei sempre por errar e estarei condenada a aceitar que, na verdade, o meu caderno não passa de um caderno de rascunhos.

7 comentários:

Teté disse...

Aí está uma grande vantagem do PC: quando te enganas emendas, sem rasuras! :)

Mas não tendo um caderno de escritas, tenho dois blocos de rascunhos: um na secretária, outro (mais pequeno) na mala! E adivinha lá como esles estão? Rasurados, está claro... :D

Beijocas e bom fim de semana!

Vane M. disse...

Adorei seu texto, Luisa! Tem razão, o caderno de rascunhos é mesmo para ser assim, repleto de palavras a serem arrumadas ou substituídas, ou não seria um caderno de rascunho. E a vida, nada mais é do que uma bela história a ser melhorada e reescrita sempre. Um abraço!

Catarina disse...

Não tenho cadernos de rascunhos. Escrevinho em qualquer tipo de papel a partir do momento que decidi ter uma mala pequena, à tiracolo, que me deixa as mãos livres para pegar em sacos, tirar fotos ou que simplesmente me dá liberdade de movimentos. Acontece que quando tomo nota de qualquer coisa não escrevo nas linhas, escrevo em diagonal, nem sei porquê e com uma letra totalmente diferente da habitual.
Viva o PC! : )

Rosa dos Ventos disse...

Tenho uns bloquitos manhosos onde, esporadicamente, alinhavo uma ou outra frase...pouco mais!
Mas rascunhos são rascunhos, se escreveres direitinho deixam de ser rascunhos!
Voilà! :-))

Abraço

Briseis disse...

Quem escreve sem rasurar nada, das duas, uma: ou escreveu de cor, ou então não escreve grande coisa.
A escrita é, como bem disseste, uma acto de aperfeiçoamento, há sempre uma palavra melhor, ou uma ideia errada que não merece ser assim posta... na nossa cabeça não dá para distinguir isso. Só mesmo escrevendo...
E, sabes que mais? eu gosto mais de cadernos resurados. têm alma. =)

redonda disse...

Também me acontece nos "meus cadernos de escrita" (diários). Tenho páginas com uma letra direitinha e outras nada bem escritas :)

Pedro Coimbra disse...

O lema, que aprendi com alguém que me é muito chegado, é - um dia de cada vez.
Neste caso, também, uma página de cada vez.