sexta-feira, 27 de abril de 2012

Os sofás da prima


Tenho, guardadas no fundo da memória, imagem fixas. São como fotografias que se acomodaram num álbum de recordações que só eu consigo folhear. Às vezes esse álbum tem vida própria e abre-se sem mais nem menos numa das suas páginas. Então, sem eu perceber porquê, há uma dessas fotografias que se destaca. Mesmo ao fim de muitos anos, essa imagem aparece perante os meus olhos sem sinais do tempo que passou. Tem as cores vivas. Tão vivas como as cores daqueles sofás da prima São José. Eram sofás de napa com pés e braços de madeira envernizada. Amarelo, verde, vermelho e azul. Quatro cores vibrantes compunham cada um deles forrando-lhes o encosto, o assento, as laterais. Na sala da prima São José, aqueles sofás acomodavam-se à volta de uma mesa baixa que condizia com a época. Quando, em certas ocasiões, eu ficava em casa da prima São José, gostava de me instalar naquela sala colorida e do alto da minha infância, fazer de conta que era gente crescida, recebendo visitas.


7 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Sala dos anos cinquenta muito bem preservada na memória! :-))
Ou talvez princípios dos anos sessenta...

Abraço

Artes à Solta disse...

Muita nostalgia...

redonda disse...

Tive uma brincadeira parecida quando mudámos de casa - vieram uns sofás bonitos para a sala e enquanto a minha mãe e a minha irmã mais velha se ocupavam com arrumações, eu e a minha irmã mais nova iamos para a sala, brincar que eramos crescidas a receber visitas :)

Teté disse...

É, de vez em quando saltam memórias do fundo do baú, como se tivessem vida própria. Gratas recordações (quase) todas elas, que nem sabemos o porquê de nos avassalarem de repente... :)

E o desenho, foi feito numa dessas visitas a casa da prima?! :D

Beijocas e bom fim de semana!

luisa disse...

Rosa dos Ventos,
Anos sessenta... :)

Artes à solta,
Há dias li que a nostalgia está na moda... e eu sou uma mulher moderna :)

Gabi,
Meninas querendo ser mulheres... assim fomos todas não é?

Teté,
Memórias que são como saudades de nós próprias... o desenho, esse, foi só mesmo uma fraca tentativa de ilustrar a memória. :))

mfc disse...

Porque será que fixamos para sempre coisas aparentemente sem importância?!
É porque na altura tinham importância para nós...

Beijos,

Catarina disse...

Ultimamente também me tenho recordado do passado longínquo, talvez, quem sabe, devido ao que leio por aqui.
Não me sentava nos sofás da sala para fingir que era crescida. Preferia calçar os sapatos de salto alto da minha mãe, pintar os lábios com o seu batom, enrolar uma folha pequena de papel e fingir que fumava. A minha mãe nunca fumou portanto estaria a imitar outra senhora, suponho.
Abraço