sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Modo de espera

Às seis da manhã de hoje, um dia Dezembro, percorro a EN 125 em direcção a Faro. Meia dúzia de carros cruzam comigo. Não mais. No tablier do carro, o indicador da temperatura diz-me que lá fora estão 19ºC. Penso noutros locais, no centro e norte da Europa, encravados na neve. Prossigo. Em Faro entrego o filho ao autocarro da visita de estudo que o leva para Lisboa. Aguardo a sua partida, observando o movimento dos jovens que embarcam com ele. Um melro, pousado no ramo da árvore que está à minha frente, observa também. Sai o autocarro e saem mais dois. Regressa o silêncio da madrugada logo interrompido pelo motor do meu carro quando arranco em direcção ao centro. Tenho sorte e arranjo um lugar de estacionamento na Avenida. São agora sete horas e assisto ao lento acordar da cidade. Os pássaros escondidos na ramagem das árvores estão numa acesa discussão. Chega a ser ensurdecedor. Um homem passa. Passeia o cão. Ainda veste as calças do pijama. Um gato preto atravessa silenciosamente o passeio. E eu fico em modo de espera até que chegue a hora em que o meu cartão electrónico de funcionária já consiga abrir a porta do serviço.

8 comentários:

El Matador disse...

Ainda se pode estacionar na Avenida? :)

luisa disse...

El Matador,
É quase como ganhar no euromilhões. :)

Isa GT disse...

Hoje até os pássaros deviam estar a cantar melhor... véspera de fim de semana ;)
Para mim, Sexta-feira é... o melhor dia da semana, especialmente, a partir das 20h, o jantar feito e a cozinha arrumada... instala-se um doce sossego :)

Bjos

Fê-blue bird disse...

Um começo de dia contado de forma magnifica.
Parabéns! Espero que o filho tenha regressado bem ;-)

beijinhos e bom fim de semana

José Sousa disse...

Olá!
Gostei da sua postagem...mais uma fonte de cultura que descobri! penso que é a primeira vez que cá venho, vou seguir o seu blogue, gostei. Siga os meus também!

www.congulolundo.blogspot.com
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Um grande abração e até sempre

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Luisamiga

Reafirmo, triafirmo, enafirmo: escreves muitíssimo bem. Releio e transcrevo: «Um melro, pousado no ramo da árvore que está à minha frente, observa também». E mais: «E eu fico em modo de espera até que chegue a hora em que o meu cartão electrónico de funcionária já consiga abrir a porta do serviço.»

E mais não digo; nada, ainda digo: para te pedir que vás até ao meu quintal na Travessa. Obrigado pelos textos e pela futura visita

Qjs

luisa disse...

Caríssimos,
Só agora consegui voltar a este lugar e ver os vossos amáveis comentários.

Isa,
Também gosto das sextas-feiras... e quanto aos outros dias essa hora da cozinha arrumada também me sabe temendamente bem. :)

Fê,
Regressou bem sim. Mas foi um dia longo. Que bom que tenha gostado do post.:)

José Sousa,
Pois seja bem vindo a esta esquina. Quanto a mim, vejo que tenho muita leitura a fazer aí para os seus lados. :)

Henrique,
Muito obrigada pelas suas palavras. Não deixarei de passar na sua Travessa.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Quando quebramos as rotinas, descobrimos sensações novas, desfrutamos de momentos que de outra forma nunca seriam vividos.Acontece-me o mesmo quando me levanto cedo, o que é coisa rara, pois sou animal noctívago, que trabalha pela madrugada.