quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A roseira

A roseira ainda está ali. Está junto à parede que já foi branca de cal. A parede mudou de cor e de textura. Foi revestida de pedra até meia altura e foi pintada de rosa salmão, mas a roseira ainda está ali. Está em flor, como sempre a vi, com rosas pequenas e rubras. Na imagem que vejo quando passo junto à roseira falta a figura da avó. Lembro-me dela encostada à roseira, vestida de negro e em esforço para endireitar o tronco que já se apresentava dobrado pelos anos de duro trabalho. Vejo-a assim, como sei que ficou registada numa fotografia que deve estar guardada no velho álbum arrumado na estante do escritório. Há imagens como esta que se fixam na memória e que não se desvanecem. É uma fotografia a cores que não vejo há muitos anos mas sempre que passo junto à roseira que vive rente à parede, que já foi branca de cal, vejo ali a avó, vestida de negro e de lenço na cabeça. Sempre de lenço e chapéu preto na cabeça.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mimos blogueiros

Para celebrar o 1º aniversário do blogue “Jardins deAfrodite” a sua autora não fez por menos e desatou a presentear quem a segue. E mais… não se contentou em oferecer um selo personalizado como este, bem bonito, que recebi. Para cada um dos bloggers que presenteia Afrodite escolhe belas flores e uma música. Eu adorei a que me calhou. Vão lá ouvir.


domingo, 3 de novembro de 2013

Passeio de domingo (170)


Depois de uma semana com escassas passagens aqui pela esquina, não falto, no entanto, ao passeio de domingo. Desta vez, pelos campos de Vilamoura.






quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O florista

Fui à florista da praça comprar algumas flores com a intenção de preparar um pequeno arranjo para a campa da minha mãe. A azáfama era grande. Bastante clientela, coroas e palmas a fazer e as floristas sem mãos a medir.

Junto às mulheres que se atarefavam, estava também um homem que se disponibilizou para me atender. Escolhi um molho de margaridas, cinco gerberas e cinco pés de verdura. Entreguei-lhe tudo para que embrulhasse e fizesse a conta.

Começou por colocar os fios de arame nas gerberas. Via-se que os seus dedos não tinham muita habilidade para a coisa. Quando terminou de colocar os arames juntou tudo e começou a atar os pés das flores com um fio. Ao levantar o ramo percebeu que tinha atado também outras flores que se encontravam sobre a mesa mas que não me pertenciam. Desfez o atilho e recomeçou. Pelos vistos os arames das gerberas estavam frouxos, porque voltou a contorcê-los um a um.

Por essa altura comecei a ficar com calor. Havia bem uns dez minutos que a cena se desenrolava e comecei a sentir falta de uma pequena dose de paciência. Respirei fundo, olhei para o lado e esperei. O homem embrulhou os pés das flores num pedaço de papel de alumínio e entregou-me o molho enquanto eu lhe estendia uma nota para pagar. 

Mal agarrei no ramo, soltou-se uma gerbera do atilho que nada atava. Com os nervos em franja devolvi as flores a uma das mulheres que se viu obrigada a interromper o trabalho que fazia para resolver o meu caso. E resolveu-o num instante, no tempo que o florista necessitou para me fazer o troco.

domingo, 27 de outubro de 2013

Passeio de domingo (169)


No domingo em que entramos na hora de inverno e em que preciso de deixar o passeio agendado, fica aqui o testemunho da minha ida até à praia quando, há uma semana atrás, se desmontava o verão.







sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Tous les moulins de mon coeur

Apetece-me ficar a ouvir, repetidamente, este tema magnífico de que me lembrei hoje.


Comme une pierre que l'on jette dans l'eau vive d'un ruisseau
Et qui laisse derrière elle des milliers de ronds dans l'eau
Comme un manège de lune avec ses chevaux d'étoiles
Comme un anneau de Saturne, un ballon de carnaval,
Comme le chemin de ronde que font sans cesse les heures
Le voyage autour du monde d'un tournesol dans sa fleur
Tu fais tourner de ton nom tous les moulins de mon coeur

Comme un écheveau de laine entre les mains d'un enfant
Ou les mots d'une rengaine pris dans les harpes du vent
Comme un tourbillon de neige, comme un vol de goélands,
Sur des forêts de Norvège, sur des moutons d'océan,
Comme le chemin de ronde que font sans cesse les heures
Le voyage autour du monde d'un tournesol dans sa fleur
Tu fais tourner de ton nom tous les moulins de mon coeur

Ce jour-là près de la source Dieu sait ce que tu m'as dit
Mais l'été finit sa course, l'oiseau tomba de son nid
Et voilà que sur le sable nos pas s'effacent déjà
Et je suis seul à la table qui résonne sous mes doigts
Comme un tambourin qui pleure sous les gouttes de la pluie
Comme les chansons qui meurent aussitôt qu'on les oublie
Et les feuilles de l'automne rencontrent des ciels moins bleus
Et ton absence leur donne la couleur de tes cheveux

Comme une pierre que l'on jette dans l'eau vive d'un ruisseau
Et qui laisse derrière elle des milliers de ronds dans l'eau
Aux vents des quatre saisons, tu fais tourner de ton nom
Tous les moulins de mon coeur

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Poema do mar


O pescador poeta escreve, em cada dia, um poema que brilha ao largo como as águas de prata em que navega.  

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Doce

Na aldeia, não havia quem não gostasse do Jerónimo. Todos eram unânimes em afirmar que o Jerónimo era um doce de pessoa. Estava sempre pronto para ajudar os vizinhos e só se lhe conheciam boas ações. 

Qualquer forasteiro que ali chegasse e precisasse de alguma orientação sobre o caminho a tomar para o seu destino encontraria no Jerónimo a pessoa mais disponível para prestar a informação necessária. 

As crianças que frequentavam a escola situada perto de sua casa gostavam tanto dele que obrigavam os pais a passar à sua porta para poderem ouvir uma das histórias que sempre tinha para lhes contar e chupar um dos rebuçados que sempre tinha para lhes distribuir. 

Era divertido com os jovens e atento aos mais idosos. Ninguém duvidava, o Jerónimo era o doce em pessoa.

No dia em que a carrinha do serviço de saúde passou pela aldeia para o rastreio, o Jerónimo foi fazer as suas análises. Quando lhe deram os resultados ficou a saber que era diabético.

domingo, 20 de outubro de 2013

Passeio de domingo (168)


Entre Algarve e Alentejo, um passeio com muita estrada e algumas compras comestíveis na feira de Castro Verde.