quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O florista

Fui à florista da praça comprar algumas flores com a intenção de preparar um pequeno arranjo para a campa da minha mãe. A azáfama era grande. Bastante clientela, coroas e palmas a fazer e as floristas sem mãos a medir.

Junto às mulheres que se atarefavam, estava também um homem que se disponibilizou para me atender. Escolhi um molho de margaridas, cinco gerberas e cinco pés de verdura. Entreguei-lhe tudo para que embrulhasse e fizesse a conta.

Começou por colocar os fios de arame nas gerberas. Via-se que os seus dedos não tinham muita habilidade para a coisa. Quando terminou de colocar os arames juntou tudo e começou a atar os pés das flores com um fio. Ao levantar o ramo percebeu que tinha atado também outras flores que se encontravam sobre a mesa mas que não me pertenciam. Desfez o atilho e recomeçou. Pelos vistos os arames das gerberas estavam frouxos, porque voltou a contorcê-los um a um.

Por essa altura comecei a ficar com calor. Havia bem uns dez minutos que a cena se desenrolava e comecei a sentir falta de uma pequena dose de paciência. Respirei fundo, olhei para o lado e esperei. O homem embrulhou os pés das flores num pedaço de papel de alumínio e entregou-me o molho enquanto eu lhe estendia uma nota para pagar. 

Mal agarrei no ramo, soltou-se uma gerbera do atilho que nada atava. Com os nervos em franja devolvi as flores a uma das mulheres que se viu obrigada a interromper o trabalho que fazia para resolver o meu caso. E resolveu-o num instante, no tempo que o florista necessitou para me fazer o troco.

14 comentários:

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá,
Em certos momentos existe um aproveitamento para fazer negocio, o que importa é vender sem a preocupação de servir bem o consumidor.
Gostei de saber que trabalha em Faro, cidade do que sou natural, vivo, gosto da minha cidade.
Abraço
ag

Catarina disse...

Conclusão: os homens não têm habilidade nenhuma para certas coisas. Esta é uma delas. Conclusão radical!
: )

Pedro Coimbra disse...

Mas uma conclusão válida, Catarina.
BFDS!!

Gi disse...

Coitado. Se calhar faltava-lhe jeito mas não boa vontade.

Naná disse...

Olha, eu no lugar dele teria feito ainda pior figura! Se há coisa para a qual não tenho o menor jeito é esse, de fazer ramos de flores...

Rui Pascoal disse...

Com certos homens há que redobrar a paciência... verdade?
:)

Pérola disse...

Há pessoas mais dotadas do que outras.

Os homens talvez não sejam tão habilidosos ou então será falta de experiência.

Beijos

maria disse...

Digo o mesmo que a Gi, quando acontece comigo, apesar de ficar impaciente também, não digo nada, faz-me pena...

Beijinho :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Há tarefas para que os homens não estão mesmo talhados :-)
Bom FDS

AFRODITE disse...


Estes dias são de grande azáfama nas floristas. Muitos dos negócios familiares que vivem da sazonabilidade inerente a cada ramo de negócio, têm nestas alturas amigos ou pessoas de família a "deitar uma mãozinha". É bom para os clientes... e para quem precisa de se sustentar. Infelizmente nem todos somos talhados para trabalhos manuais... e é certo que a grande parte dos homens poderão ser mais desajeitados... mas há de tudo como na farmácia! :)


Beijinhos de FLORES (e outras prendinhas) na mão
(^^)

Anónimo disse...

É assim. Conheci um homem que, mesmo bêbado, reparava qualquer motor de carro avariado. Dir-se-ia que cada um é para o que nasce...

Rosa dos Ventos disse...

Coitado do homem...
Mesmo assim estava a fazer o seu melhor! :)
Comigo aconteceria o mesmo e sou mulher...quer dizer resolveria o assunto mal como ele mas muito depressa!

Abraço

Ana disse...

Também não sou habilidosa para essas coisas, mas adoro flores:)

AC disse...

:))
Cada um é para o que nasce. Esse homem, apesar da boa vontade, nasceu para outras artes. :)

Beijo :)