domingo, 24 de maio de 2020

Xerém


Ontem comi berbigão da praça. Guardei-lhe o caldo, seus sucos misturados com cebola picada, alho, coentros e azeite. Nesse caldo, cairá, logo mais, o carolo de milho, que farei por almarear* de tanto o mexer com a colher de pau, contrariado-lhe as bolhas e os salpicos que vai querer soltar enquanto coze. Umas pequenas gambas hão de cair nas papas ao final da cozedura. A anteceder o prato de xerém, terei aberto, de novo com alho e coentros, as conquilhas que apanhei hoje de manhã, pela maré.

*deixar tonto


26 comentários:

  1. !!! minha querida luisa! o teu prato é manjar para dar trabalho :) e aqui, no meio dos montes, onde vou eu encontrar marisco fresco, ainda com cheiro a mar?!

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    1. Cada terra com seus aromas sabores, flor. Mas olha que isto das papas de milho é comida simples e coisa simples de fazer. :)

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    2. eu conheço as papas de milho, mas doces :)

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    3. Pois é, Flor, especialidade aqui da Beira; mas o que eu gosto mais é de tijelada feita no forno de lenha (já quase ninguém faz).
      Agora marchava uma ;)

      🌻

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    4. Cá também se fazem doces, flor.

      Ai, Maria, também sou fã de tijelada. :)

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  2. Cozinhar "carolo de milho"?

    Nunca tinha ouvido falar que o carolo de milho se podia cozinhar e que era bom para comer. A vida é mesmo uma aprendizagem constante, sem qualquer dúvida.
    .
    Um domingo feliz
    Cuide-se

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    1. É farinha de milho numa moagem grossa, Rikardo. Coisa do campo algarvio. :)

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  3. O último xerém que comi foi imediatamente antes dos tempos do confinamento, num restaurante ao rés da Gulbenkian. Via-se que a receita tinha sofrido mutações até ali chegar, mas foi de perdoar a adição de açafrão (!), por exemplo, pelo bem que soube. Parece, agora, ter sido há uma eternidade...

    Bom apetite!

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    1. Confesso que não imaginaria semelhante fusão de sabores. Papas de milho com açafrão… E porque não? Por cá fazem-se com tantas variantes. As de hoje ficaram bastante boas. :)
      Boa noite, Xilre.

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  4. Gosto e sei fazer, sou semi-algarvia:)
    ~CC~

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    1. Como acompanhamento ou como prato principal, gosto imenso de papas de milho, CC. Faço com alguma frequência.

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  5. As minhas amigas italianas gostam muito do que chamam de polenta, as papas de milho, muitas vezes juntando molho de tomate. Serve de acompanhamento de muitos pratos.

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    1. Pois, a polenta italiana é mais ou menos como o nosso xerém, Catarina. No Algarve, temos, como sabes diversos modos de as preparar e também gosto da versão madeirense que resulta nos cubos de milho frito para acompanhar as espetadas.

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    2. Engraçado, eu comi esses cubos de milho frito com espetadas (em pau de loureiro, se bem me lembro) na Camacha, e nem pensei nas papas e muito menos no xerém ou na polenta: e afinal parece que isto anda tudo ligado :))
      🌻

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  6. papas de milho com gambas e que se chama xerém. Ignorava. Papas, sejam do que for, não são o meu forte.

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    1. No Algarve chamamos xerém às papas de milho, bea. Podem levar gambas, ou não. Fazem-se com amêijoas ou conquilhas. Ou com sardinhas de molho de tomate. Ou com ervilhas. Ou simples. Só para dar alguns exemplos. :)

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    2. ok. Não me parece que algum dia venha a gostar, salvo talvez se chegue a muito velha e já não tenha dentes e nem aguente placas dentárias. Aí o paladar deixa de ser o que foi e marcha tudo desde que já mastigado. Espero não chegar a esse estado de amorfismo.

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    3. Talvez provando o xerém algarvio... :)

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  7. A piada que achei! Ao post e ao desafio de receitas.

    Eu, algarvia me confesso, não sou apreciadora de papas. Milho é para as galinhas!

    Mas, não digo nunca. Andei anos a dizer que não gostava de açorda e agora converti-me.

    Um abraço Luísa,

    Sandra Martins

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    1. Tudo se aprende, Sandra. Até a gostar de papas. :))

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  8. Ummm. Nunca provei papas de milho, mas fiquei cheia de vontade de o fazer :)
    Acho que aqui pelo centro não é habitual

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  9. Não faltam receitas na net. É experimentar, GM. :)

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  10. Ao ler este texto sobre as papas de milho, voltei à minha infância.
    A minha mãe era algarvia e também eu vivi até aos 16 anos no Algarve. Ora em criança, a minha mãe obrigava-nos a comer, a mim e à minha irmã, papas de milho. Não sei como eram feitas, mas sei que por cima punha um pouco de açúcar amarelo.
    Porém...enquanto que a minha irmã adorava essas papas de milho...eu detestava-as, mas detestava mesmo! Mas tinha que comer e levava que tempos com as papas na frente, porque cada colher era um sacrifício.
    Nunca mais comi papas de milho!

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    1. Ser forçado a comer o que se não gosta não ajuda a gostar. Mas, Dulce, talvez pudesse agora experimentar as papas de milho, não as doces, mas estas com outro tempero. Quem sabe se não descobre novos e inesperados sabores. :)

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