quarta-feira, 23 de maio de 2018

A senha


Fui ao banco. A dependência renovada apresenta-se com salão de espera para clientes que, refastelados nos sofás, olham para um ecrã gigante (gigante ao ponto de ocultar da vista geral os dois balcões de caixa) onde seguem o evoluir das senhas. Pois. As senhas. As senhas que quase foi necessário um curso para tirar. A renovada dependência tem agora um dispensador de senhas com teclado touch que requer a introdução de um número de identificação do cliente antes de prosseguir para a seleção do serviço pretendido, antes de indicar se é de atendimento prioritário, antes de confirmar que quer imprimir. Vale que um seleto funcionário veio em socorro da mulher que entrou à minha frente, mantendo-se no posto para, também a mim, me explicar todos os passos a seguir. Lá inseri o número de contribuinte – para melhor gestão de clientes, explicou o bancário. E por aí adiante com os dedos a martelar no novíssimo ecrã do dispensador de senhas. Já sentada frente ao painel eletrónico, aguardando a chamada, senti uma estranha saudade de uma fila única, simples, sem requisito de senha.

15 comentários:

Diana Fonseca disse...

Estão sempre a inventar, credo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Para mim ... só complica e nas filas e sem teles ... ainda se arranjava tempo para "um dedo de conversa"!
bj

Gaja Maria disse...

Tanta modernice que só complica :)

papoila disse...

Habitua-mo-nos a tudo, qualquer dia já achas graça!!!
Bjs

Catarina disse...

Desde que os servicos passem a ser mais rapidos...

Célia Rangel disse...

São as "tais modernidades" que temos de nos adaptarmos... Não há outra maneira!
Abraço.

Pedro Coimbra disse...

Já é moda por aqui há muito tempo.

Gil António disse...

São os defeitos contrafeitos dos efeitos do tempo moderno.
Votos de um dia feliz
.
* Amor em Desejos Indefinidos *

Ana disse...

Por vezes querem tanto facilitar que só complicam...
Beijinhos,
https://chicana.blogs.sapo.pt/

Cidália Ferreira disse...

Sou de acordo contigo!

Beijo e um excelente dia!

Rui disse...

Se a funcionar como simples registo de ordem de chamada, será um verdadeiro disparate, mas,... por ex., no Hosp. São João, no Porto, para uma consulta médica já marcada em tempos, há as duas possibilidades : ou simples dispensador de senhas para se ser atendido pela funcionária, para registo da presença e informação do nº de ordem e sala (ficando-se a aguardar a chamada), ou um outro dispensador como esse, XPTO, complicado em que poderemos fazer o serviço completo (o que faz o funcionário) e seguir logo para o destino da consulta ! ... Muito bom, porque estão uns 10 funcionários a fazer esse trabalho e tem a sua demora, claro !

CCF disse...

A questão que se me coloca tem sempre a ver com as pessoas mais idosas, grande parte não domina estas tecnologias e nem sempre há quem ajude.
~CC~

Victor Barão disse...

Muito bem explicitado, pela Luísa!
No caso e se me é permitido expor uma minha experiência própria, que para além dalgo muito idêntico que recentemente vivi num hospital publico, faz-me acima de tudo lembrar da primeira vez que andei de Metro em Lisboa após um interregno de meia dúzia de anos sem o fazer, sendo que entretanto se passou dum simples bilhete com cerca de quatro centímetros de comprido e três de largura, semi-rígido e fácil de adquirir, para um sistema em que primeiro há que adquirir um cartão que custa cinquenta cêntimos, no caso cartão que se pode devolver, salvo erro no espaço temporal de três meses, sendo-se então ressarcido dos cinquenta cêntimos, só que também sendo possível adquirir o cartão em qualquer respectiva estação de Metro, no entanto só é possível devolvê-lo em determinadas estações ou seja em muitos casos não compensa em absoluto dirigir-mo-nos objectivamente a uma estação onde se pode devolver o cartão e assim lá vão ou melhor lá ficam os cinquenta cêntimos; mas as mirabolantes "preciosidades" não se ficam por aqui, já que o cartão em causa serve para introduzir nas máquinas que já não dispensam bilhetes mas sim recarregam o cartão que serve de bilhete actualizado para cada viagem, só que associado a cada recarregamento de cartão passaram a ser debitadas duas tiras de papel, uma mais curta e outra mais longa, ambas com cerca de cinco centímetros de largura, cuja mais comprida tem para cima de dez centímetros de comprido, como seja passou-se dum simples e pequeno bilhete para uma vertigem de: cartão, mais recibo, mais comprovativo do troço para o qual se fez o recarregamento do cartão; mas sequência ainda cujo de todo não menos curioso foi que quando adquiri o primeiro cartão e respectivo bilhete ao balcão, referi com a/o funcionária/o de serviço a complexidade de todo aquele processo, ao que a/o mesma/o me correspondeu duma forma, para mim de todo incompreensivelmente, salvo se por qualquer ironia, com: _ "eles fazem isto para poupar papel!". Isto quando, digo eu, na melhor das hipóteses, nem a troca dum bilhete de usar e deitar fora por um cartão reutilizável e que se pode devolver, explica a "poupança de papel", na medida em que associado a cada recarregamento do cartão saem duas longas folhas de papel tão descartáveis quanto o prévio, mais pequeno e simples bilhete, além de que em muitos casos não se chega circunstancialmente a devolver o cartão, como de resto se passou comigo _ ainda que neste último caso seja económico-financeiramente útil para a empresa Metro que fica com cinquenta cêntimos adicionais ao recarregamento para cada viagem. Enfim, salvo correccionais melhorias operacionais que eu desconheça ou que a própria era digital tenha obviado, de resto diria que são fenómenos desta nossa, por pior não dizer, aparentemente crescente e muitas vezes oportuna complexidade político-empresarial e de atendimento ao publico em particular.

Finalmente, se aplicável, peço perdão por ter acabado por escrever em comentário mais que a Luísa na sua própria publicação, mas ele há casos que talvez nem todo um tratado "de costumes" possam explicar em toda a sua extensão e complexidade! :-/

VB

luisa disse...

Diana,
Desde que as invenções nos facilitem a vida… :)
Gracinha,
Pois é… hoje em dia anda tudo com o pescoço dobrado e de olho nos ecrãs dos telemóveis. :)

GM,
Neste caso, não vi qual a vantagem da modernice. :)

Papoila,
Tanto clique para conseguir uma senha só empata… :)

Catarina,
No caso ainda parece demorar mais… Até que uma pessoa digite tudo. :)

Célia,
Não é nenhuma complicação, mas também não vi nenhuma vantagem naquele sistema.

Pedro,
Também por cá estes equipamentos são comuns em muitos locais, só nunca tinha visto um que requeresse a introdução de um número de identificação pessoal. Embora, assistisse depois a outra colaboradora do banco tirando a senha para outros clientes com um qualquer atalho. Portanto até nem era obrigatório colocar o número de identificação pessoal…

Gil António,
Com efeito! :)

Ana,
Tal e qual. :)

Cidália,
È que achei aquilo um perfeito disparate.

Rui,
Achei mesmo um disparate. E vi depois que até se podia andar mais rápido na maquineta, só que o funcionário que me mostrou o caminho resolveu indicar o mais longo…

CC,
É verdade, quando se introduzem estas inovações tecnológicas nem sempre se pensa nos mais idosos. Ali, talvez por ser novidade, os funcionários do banco vinham à porta ensinar aos clientes como fazer. E não se tratava propriamente de clientes idosos… :)

Victor,
Essa do poupar papel tem alguma graça… :)

LuisY disse...

Os serviços adoram gastar rios de dinheiro nessas macacadas tecnológicas e com a qual as firmas de informática, que desenham os sistemas, ganham também um dinheirão. O problema é que se esquecem que vivemos num País com um população extremamente envelhecida, que esbarra completamente nessas inovações todas.

Eu não sou propiamente velho e confesso, que cada vez me sinto mais cansado por lutar contra tanta inovação tecnológica. Por vezes, dou meia volta e desisto.