terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O baloiço

Naquele tempo, a rua da minha casa pegava com a rua da casa da minha tia. Juntavam-se numa faixa de terra, pó e pedras grossas. Daquelas pedras que fazem o barrocal algarvio. Naquele tempo, a rua da minha casa não era o caminho público, hoje feito estrada, que passa a sul. Era a rua como extensão da casa. O pátio.

A minha rua dava para as traseiras da cozinha da minha tia, um edifício separado do resto da casa. Dava também para as traseiras do forno onde se cozia o pão e se torravam os figos.

Ali, onde a rua tomava certa inclinação, erguia-se uma velha alfarrobeira e, para deleite das crianças, alguém entre os adultos tinha escolhido uma aba grossa daquela árvore para dependurar um baloiço. Um simples assento de tábua, preso por duas fortes cordas. Mas era suficiente para os meus alegres voos entre o rubro da terra e o azul do céu que se confundia, no horizonte, com o azul do mar.

Na sombra da alfarrobeira, sentada no baloiço, eu voava. Mas não via só o céu. Via também o lastro vermelho vivo de uma malva que crescia rente à parede de cal e areia da casa da minha tia.

3 comentários:

Catarina disse...

Recordações da meninice que nos aquece a alma nos momentos em que o presente se afastou momentâneamente! :)

AC disse...

Luísa,
Há recordações de infância que ficam para sempre tatuadas em nós.
É caso para dizer que se começou a balançar para o mundo a partir de um baloiço. :)

Beijo :)

Isa GT disse...

Que saudades eu tenho dos baloiços improvisados, do tempo que passava lento,... e de não usar óculos ;)))

Bjos