sábado, 28 de agosto de 2010

A vida secreta dos objectos - A esponja de banho


Querem um conselho? Não criem expectativas demasiado altas nas vossas vidas. Não pensem que irão acertar com todas as escolhas que fazem. Não se convençam de que tudo vai ser um mar de rosas.
Olhem para mim… Sempre achei que havia de encantar os banhos de uma criança alegre, que lhe havia de esfregar as costas docemente, que ela me apertaria entre os seus finos dedos para me fazer espirrar o excesso de água e espuma entranhadas em mim. E afinal o que é hoje a minha vida? Estou para aqui encostada num beiral de banheira, apenas recebendo os salpicos do chuveiro quando ela toma banho. Não fui sequer parar à casa de banho das crianças. Foi numa emergência que cheguei à banheira dos adultos. Ainda estive durante uns tempos guardada na gaveta, mas no dia em que a esponja dela se finou, não havia mais nenhuma cá em casa e lá tive de mergulhar no gel duche da mãe dos miúdos. Não que seja um gel duche menos agradável que outro qualquer. Por sinal até cheira muito bem… Só que em meu redor havia uma rede daquelas que facilita a formação de espuma e com a qual ela se esfregava. Não sei dizer como foi isto mas em dado momento descosi-me dessa rede… e pronto ela jogou-me para este canto e não me ligou nunca mais. E não me digam que o destino já está escrito!!! Ah não! Porque se o meu destino estava escrito, só podia lá dizer que era o destino de uma esponja de crianças. E vejam… nunca me foi dado brincar com elas. Agora apenas sou um pedaço de esponja de banho resignada à minha sorte, esperando ansiosamente as gotas de água que ressaltam do chuveiro para cima de mim.

5 comentários:

Tulipa disse...

Belo conselho! ;)

luisa disse...

Tulipa,
Nada de ilusões, na vida. Sonhar sim. mas só isso. :)))

Anónimo disse...

Oh... tadinha da esponja :(
Rog

luisa disse...

Viva Rog! Essas férias foram boas?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Fiquei com pena da esponja. Tem um ara tão simpático, que bem merecia cumprir a função para que foi criada. Pois é, mas o mundo dos objectos ; ás tantas, é igual ao dos humanos, cheio de ilusões que ficam por cumprir.