domingo, 6 de fevereiro de 2022

Passeio de domingo (561)

 


Um passeio-retrato do mês de fevereiro algarvio.









Livrário

 

Meses atrás recebi de brinde um livrário. Está desatualizado em três livros que ainda não anotei. Três livros que ainda se mantêm na mesa de cabeceira, encimados pelo livro do momento. Mas hei de tratar do assunto. Da arrumação e do apontamento. Para já, preciso também de atualizar o blog de esquina que está em modo de serviços mínimos e não consegue sair deste estado. É o que é. Que se aguente.


sábado, 29 de janeiro de 2022

Creme cheese

 

Mal entro no corredor das manteigas sou abordada pelo desespero em pessoa. Sinhóra, por favor, sabe me dizê onde qui tem creme cheese? E vai logo pedindo desculpa e assumindo que homem não sabe fazer compras, nunca encontra nada (e eu a lembrar-me de imediato de certos telefonemas sobre localização de produtos ou cores de embalagens que costumo receber). Não sabe onde encontrar o creme cheese que lhe foi encomendado. Creme cheese? Bem… Se é queijo em creme para barrar deve procurar no corredor dos queijos, digo-lhe enquanto ele ainda olha para as margarinas. Explico-lhe que essas são para cozinhar e ele agradece aliviado. Eu, qual heroína de supermercado, salvei-lhe a tarde de compras.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Terceira dose

 

A enfermeira da box 3 chama-me e vai logo justificando que não é engano, que estou na box certa, que está tudo bem, que não me preocupe. Digo-lhe que sim, que percebo que a box 2 para a qual me encaminharam inicialmente devia estar com mais atraso no serviço. De semblante aliviado, exclama que sou a primeira pessoa que entende a situação e que não questiona a troca. A operação processa-se em menos de cinco minutos, o recobro já só dura 15. Tudo tão simples que não percebo que haja quem complique.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Passeio de domingo (558)

 


Um passeio que não é de hoje,  só para não deixar a página em branco.












Sinfonia

 

Era um dia claro de um azul de aço. Os espaços do ar e do mar estavam inteiramente penetrados pelo azul; mas o céu, suavemente claro e puro, tinha alguma coisa de feminino enquanto o mar robusto era um macho cujo peito se elevava em poderosos e lentos haustos, como Sansão adormecido.

Aqui e além, muito alto, vogavam as asas brancas como neve de pequenos pássaros imaculados; pareciam ser os doces pensamentos femininos do céu, enquanto que, rodando no seio das profundezas muito fundo, sob o insondável azul, os poderosos leviatões, os espadartes e os tubarões misturavam as suas nuvens, e eram os pensamentos fortes, assassinos e perturbados do mar viril.

Mas as diferenças que pareciam separar o mar e o céu não passavam de matizes e de sombras; na realidade os dois elementos estavam misturados; apenas este conhecimento espiritual do seu sexo os dividia.

No zénite, tal um rei absoluto, o Sol parecia ser aquele que casava o céu suave com o mar audacioso e atormentado, como a esposa com o esposo. Na linha redonda do horizonte, um arfar leve denunciava a suave e palpitante confiança, o temor afetuoso com os quais a tímida noiva oferecia o pescoço.


Herman Melville, Moby Dick, 1851

domingo, 9 de janeiro de 2022

Passeio de domingo (557)

 


A ver o mar, num dos sítios do costume.









Azul

 

o sol aquece-me a pele

inebria-me o ouro da tarde

e há também este azul

que me cega e me revela

as mil cores do mar