Calhou de ir apressada, ao fim da
tarde, fazer o abastecimento de chocolates e afins para a época natalícia.
Entrando no supermercado que sei, por ser costume, ter castanhas glaceadas,
iguaria que não dispenso, avisto uma conhecida no início do primeiro corredor,
onde se expõem os brinquedos. A pressa diz-me que se vou por ali fico a falar
com ela e atraso-me. Desvio, por isso, a rota e vou direta ao corredor dos
doces onde, habitualmente, estão os chocolates festivos. Fora uns ferrero, uns
rafaelos e vulgares tabletes de chocolate, não vejo por ali sombra de Natal.
Irritada com a minha infrutífera
investida, acabo por comprar alguns produtos necessários à cozinha e passo pela
caixa onde, enquanto pago a conta, desabafo com a menina que já me estende o
talão da máquina. Pergunta-me onde procurei e explica-me que não, que este ano
decidiram juntar o Natal todo no corredor de entrada do supermercado, aquele
onde não passei para fugir da minha conhecida e da presumível arrastada
conversa.
De castigo, fui de volta ao
corredor do Natal e, contas feitas, com uma passagem suplementar pela caixa,
perdi o tempo e perdi a conversa. Só se salvaram mesmo os marrons glacés.