sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O arco-íris e a flor apressada



Neste último dia de 2010, dei uma uma corrida pelo monte. Foi um percurso breve. Mas nesses breves instantes fui brindada com o esconde-esconde do tempo. O céu ficou intermitente e, entre o azul e o cinza, venceu a cor de um arco-íris. Venceu também um flor de amendoeira apressada. Menina - disse-lhe eu - já andas por aqui a espreitar? Ainda nem Janeiro veio... quanto mais Fevereiro. Neste último dia de Dezembro, o tempo jogou comigo ao esconde-esconde. Acabou por me apanhar com um aguaceiro. Soube-me bem.

Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Dias de inverno

Lá fora a cor dos dias mantém-se igual. Monótona. Atravessada de quando em quando por finas gotas de água que se derramam pelo chão. Abanada pelo sopro inquieto do vento. Viro-lhe as costas. Instalo-me ao fogão e decido reabastecer a lata de bolachas com broas de café. Consulto uma vez mais a receita da prima D. São 2,5 dl. de café, 2,5 dl. de azeite, duas colheres de chocolate em pó, 250 g. de açúcar amarelo, uma pitada de sal, meia colher de erva doce, meia colher de canela. Junto tudo no tacho e ponho a ferver. Retiro do lume, despejo então 500g. de farinha para bolos e mexo com toda a força do meu braço direito. Volto a colocar o tacho no fogo por breves instantes, mexendo sempre. Na cozinha a temperatura já subiu à custa do forno que liguei no início dos preparativos. Coloco uma folha de papel vegetal sobre o tabuleiro e assim que consigo mexer na massa, ainda quente, começo a moldar pequenas broas. Quando completo o tabuleiro, coloco-o no forno. Fica lá durante uns vinte e cinco ou trinta minutos. Cheirinho bom. Já cozidas, passo as broas por açúcar granulado e guardo-as na caixa das bolachas.

Todas não, deixo aqui umas quantas. Podem servir-se.



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Combater o cinzento do dia


O sol faltou hoje à chamada. Não seja por isso... aqui não vingará o cinzento do dia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Em modo Natal

A família está para chegar, a massa está para tender, outros doces por fazer.
Chegam embrulhos, outros se vão e eu por aqui vou ficar e boas festas desejar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Passeio de Domingo (29)




À praia dos Olhos de Água, porque quis ver com os meus próprios olhos se era verdade o que me tinham dito. É. Caiu o leixão grande, junto aos olheiros, na zona de passagem para a praia do Barranco das Belharucas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A cabine telefónica

Acho que a partir do momento em que o homem passou a dispor de um membro suplementar – o telemóvel – foi-se esquecendo da cabine telefónica. Até nem sei se alguém ainda dá uso a essas estruturas, provavelmente em vias de extinção. Na verdade, para que servem hoje as cabines telefónicas?

No entanto lembro-me de um tempo em que nem sequer telefone fixo havia na minha casa. Às vezes fico a pensar em como era possível viver sem telefone. Mas vivia-se. E bem. Então sim, uma cabine telefónica por perto fazia todo o sentido. Uma houve que não mais me sairá da memória.

Vivíamos, eu e os meus pais, os últimos dias de emigração em França quando precisei de fazer uma chamada telefónica relacionada com qualquer trâmite burocrático do nosso regresso a Portugal. Eu tinha 16 anos e, nessa tarde de um Sábado de Junho cinzento, dirigi-me à cabine telefónica quer se encontrava na “Place Carnot”, onde às Quartas-feiras se realizava um mercado semanal. Naquele Sábado à tarde a praça estava absolutamente vazia. A cabine telefónica tinha uma daquelas portas articuladas como um fole, mas só com duas partes. Quando acabei de fazer a minha chamada quis sair da cabine mas nem por nada consegui abrir a porta. Tentei. Voltei a tentar. Fiz força. Nada. O tempo passava. Só não passava ninguém pela praça que me pudesse acudir. Em desespero, agarrei numa moeda e liguei o número de emergência. Passados alguns minutos, chegou um carro de bombeiros piscando. Parou no cruzamento e saiu de lá um dos homens que se dirigiu à cabine e, com a maior das facilidades, me abriu a porta. Era só uma questão de jeito. E eu só queria ter podido desaparecer da face da terra tal a vergonha e o incómodo que senti naquela situação.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Verdes são os campos


Verdes são os campos, da cor do limão...
Assim escreveu o poeta e outro ainda cantou. E eu, que não escrevo nem canto, apenas neles fixo o olhar, absorvo-lhes a cor, alegro-me de vida.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Atracção fatal

O meu cotovelo direito tem uma atracção fatal por toda e qualquer superfície dura da qual se aproxime. Não há dia e, em certos dias, quase não há hora em que não se encoste dolorosamente, para mim, a uma parede, à quina de uma porta, a um puxador, a uma gaveta aberta. São tantas as batidas deste meu cotovelo que já trato por tu as mil estrelas que dançam ao redor de mim de cada vez que ele não resiste a mais um destes encontros repentinos. Ainda gostava que alguém me conseguisse explicar este fenómeno. Será, por certo, um problema da física que ainda se encontra por resolver. Ou será antes um mistério da metafísica? Certa, certa, é a dor que não posso dizer que seja de cotovelo, mas que é, sem dúvida, no cotovelo.