quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Uma tarde, em setembro

A maré baixa e eu caminhando pela praia, a carícia das ondas a morrerem-me nos pés, as gaivotas voando baixo, as gaivotas voando alto, as gaivotas dormitando na areia e fechando os olhos ao vento, as lagoas entre rochas, os olheiros de água doce borbulhando, a garça procurando alimento indiferente aos veraneantes que se equilibram sobre as pedras enquanto procuram a vida entre marés, o homem que me mostra a cavidade onde se esconde um caranguejo para eu o fotografar, os pepinos do mar sob a transparência das águas, os barcos que regressam dos passeios pela costa, os gritos alegres dos passageiros de uma banana pronta a deslizar sobre as ondas, as cigarras escondidas na vegetação da falésia em competição sonora com a rebentação das ondas, o casal que tira uma selfie, a mulher de meia idade que corre pela praia abanando as carnes, a criança que mostra uma alga ao pai dizendo que parece aquilo das uvas, o pai que joga à bola com os filhos e que canta Porto, Porto, Porto, uma leve neblina no horizonte, o mar todo ele prata.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Queres estas ou estas?

Queres estas ou estas, pergunta a mulher com cara de poucos amigos, dirigindo-se ao homem que conduz o carrinho de supermercado. Em cada mão tem um saco de carcaças e só por estar a segurar os sacos é que não as tem nas ancas. É uma mulher jovem e grande. Grande de quem ocupa bastante espaço, grande de quem ostenta vastas superfícies de prazer. Já o homem que segue agarrado ao carrinho das compras e a quem se dirige a mulher é de pequena estatura. Se colocado ao lado dela não lhe deve ultrapassar o nível do ombro e, na largura, ficará pela metade. A voz é pequena também e parece sumir-se braços abaixo até às mãos, para com elas se agarrar ao carrinho de supermercado como se este fosse uma pequena tábua no meio das ondas ameaçadoras da tempestade.  Tanto faz, tanto faz, consigo ouvi-lo dizer. Queres alguma coisa daqui, retorque ela indicando o corredor seguinte. E logo remata: também não quero saber das tuas compras. Queixa-se de seguida a outro casal que os acompanha, relatando os motivos da sua ira, expondo as faltas cometidas pelo companheiro, que a deixou plantada na secção da padaria e prosseguiu caminho sem esperar pela escolha do pão. Vão os quatro por diante, e o homem pequenino, de fala sumida a justificar-se:  mas ela… qualquer coisa…  Fico a vê-los afastarem-se, tão desproporcionados como as tatuagens que levam nas pernas. Ela, um losango rendilhado que lhe ocupa toda a largura do gémeo, ele, umas finas setas a condizer com a sua diminuta presença. 

domingo, 10 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Odonata


Aqueço a minha curta vida de adulto ao sol de setembro e, sem me mover, olho atentamente à minha volta. Procuro alimento e par com quem tratarei de assegurar a continuação da espécie. Vejo quando te debruças sobre mim. Voo para outro ramo de erva seca ou talvez para o arame daquela cerca. Voo, mas volto a ti. Vá, podes tirar o retrato.

Alongamentos

Gosto da cor da toalha. O roxo de um turco novinho em folha, ainda sem vestígios de sol nem de sal, chama a minha atenção. Formando um pequeno monte, junto ao canto superior direito da toalha, repousam os calções do mesmo tom, um polo rosa velho e uns chinelos pretos. Pretos são também os calções de banho de licra do homem que, junto à toalha, está de pernas afastadas, quase numa espargata, mãos nos tornozelos, costas expostas para o meu lado, cara a roçar a areia. Está ali em equilíbrio, que por momentos me parece periclitante e me faz temer pela possibilidade de lhe ver o rosto esmagar-se, bem sob os meus olhos. Mas logo muda a posição. Deita-se agora de costas, pernas levantadas, abertas de par em par. De novo as mãos agarradas aos pés e as costas a balouçar, cabeça para cima, cabeça para baixo. Depois desenha um quatro com as pernas e enrola os braços pelo meio dos membros inferiores. Ao sol, já transpira o contorcionista. Até eu, pese embora estar à sombra. Depois de muito se contorcer e de se alongar o suficiente, caminha finalmente para o mar.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

domingo, 3 de setembro de 2017

Passeio de domingo (373)



O passeio é de ontem mas, se não se importam,  vamos fazer de conta que é de hoje. A praia é a do Barranco das Belharucas, Albufeira.









sábado, 2 de setembro de 2017

Parlez-moi d'amour




Parlez-moi d'amour
Redites-moi des choses tendres
Votre beau discours
Mon cœur n'est pas las de l'entendre
Pourvu que toujours
Vous répétiez ces mots suprèmes:
"Je Vous aime"

Vous savez bien que dans le fond je n'en croie rien
Mais cependant je veux encore écoutez ce mot que j'adore
Votre voix au son carressant qui le murmure en fremissant
Me berce de sa belle histoire
Et malgré moi je voix y croire

Parlez-moi d'amour
Redites-moi des choses tendres
Votre beau discours
Mon cœur n'est pas las de l'entendre
Pourvu que toujours
Vous répétiez ces mots suprèmes:
"Je Vous aime"

Il est si doux mon cher trésor
D'être un peu fou
La vie est parfois trop amère
Si l'on ne croit pas aux chimères
Le chagrin est vite appaisé
Et se console d'un baiser
Du cœur on guéri la blessure
Par un serment qui le rassurre

Parlez-moi d'amour
Redites-moi des choses tendres
Votre beau discours
Mon cœur n'est pas las de l'entendre
Pourvu que toujours
Vous répétiez ces mots suprèmes:
"Je Vous aime"