Passei o dia embrutecida de afazeres domésticos, entre
máquinas de roupa, aspiradores, panos de pó, tapetes sacudidos, baldes e esfregonas,
tachos de cozinha, mangueiras de água que levam caca de pássaro à frente,
roupas que mudam de armário, sapatos impossíveis que caminham para o lixo, ecopontos
a abarrotar.
Sento-me finalmente.
Leio. Clico. Apetece-me comentar ali mas logo desisto. Tenho
as palavras encalhadas como se fossem pó que me arranha a garganta. Engasgo-me.
Levanto-me e abro a porta do terraço. Saio para a noite onde sopra um vento fresco
e brilha a lua.
Respiro, enfim.





























