sábado, 21 de maio de 2016

Noite

Passei o dia embrutecida de afazeres domésticos, entre máquinas de roupa, aspiradores, panos de pó, tapetes sacudidos, baldes e esfregonas, tachos de cozinha, mangueiras de água que levam caca de pássaro à frente, roupas que mudam de armário, sapatos impossíveis que caminham para o lixo, ecopontos a abarrotar.

Sento-me finalmente.

Leio. Clico. Apetece-me comentar ali mas logo desisto. Tenho as palavras encalhadas como se fossem pó que me arranha a garganta. Engasgo-me. Levanto-me e abro a porta do terraço. Saio para a noite onde sopra um vento fresco e brilha a lua.

Respiro, enfim.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Pipinha

O gato da minha prima chama-se Pipinha
E que tem?
Pensava-se, em pequeno, que era gatinha.
Erro de avalição sem influência
Na nomeação.
Passeia-se pelo telhado, pardais em alvoroço
De seguida salta para o chão e segue
Esperto e ufano
Enquanto ao longe a dona o chama, Pipinha, Pipinha!
Vem cá, bichano.



domingo, 15 de maio de 2016

Passeio de domingo (307)



Para este domingo, em que prevejo não poder fotografar, recupero o passeio de ontem, dado em poucos passos, nas imediações de casa. 









quinta-feira, 12 de maio de 2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Diário

O que tenho para contar deste caminho? Apenas que hoje cheira à chuva que caiu durante dia e que ainda não secou nas poças das bermas; e que o verdete das paredes velhas está mais vívido; e que elas clamam por cal para rejuvenescer; e que as iniciais dos donos dos prédios estão pintadas de forma tosca nos marcos que os assinalam; e que os cães ladram, como sempre, à minha passagem; e que, nos quintais, as trombeteiras estão de novo em flor exalando o seu forte perfume; e que os pampilhos já estão a fechar-se para a noite que chega; e que há um grilo ruidoso ali à frente; e que soa o alarme da cancela na passagem de nível; e que ao longe o anúncio luminosos do café muda de cor de forma intermitente; e que já se ouve o estranho chamamento do noitibó; e que os candeeiros da rua se acendem lentamente; e que no céu de chumbo se desenha uma invulgar nuvem castanha; e que me surpreendo com o som da casca do caracol que esmago sem me dar conta; e que a mulher que se cruza comigo me diz boa noite; e que alguns carros passam velozes no asfalto; e que sopra um vento leve; e que já me escorrem pequenas gotas de suor pelo peito; e que regresso finalmente a casa; e que, na verdade, nada tenho para contar.

domingo, 1 de maio de 2016

Passeio de domingo (305)


Estreia-se maio com um passeio* de abril, forçado a agendamento prévio por motivo de domingo ausente da blogaria.

*Em Albufeira.