A feira cheira a gado, a sol e a terra seca. A música
popular do programa de TV em direto enleia-se com a música da barraquinha de
comes e bebes onde se serve porco assado no espeto.
Para cá e para lá, passam
homens suados, de camisas abertas sobre o peito, crianças ruidosas comendo
farturas, mulheres de bigode com leves blusas de verão, deixando ver as alças brancas
do sutiã.
Enquanto como a sanduíche de carne de porco assado, observo
o homem de chapéu preto e camisa de xadrez. Está sentado duas mesas à frente da
minha. Segura um copo de cerveja já vazio mas insiste em escorrê-lo. Sorve-o até
à última gota. Endireita-o, olha para o fundo e enfia nele o dedo indicador,
como quem endireita uma ruga do plástico para permitir soltar algum resto de
líquido. Leva o copo de novo à boca. Agora sim, deve ser a última gota. Finalmente,
o homem pousa o copo vazio sobre a mesa e fica uns instantes a olhar para ele,
resignado.

















