domingo, 24 de fevereiro de 2013

De comboio


Neste fim de semana viajei de comboio. Há muito que não o fazia. As deslocações regulares a Lisboa são feitas normalmente de automóvel mas, desta vez, por não poder acompanhar as datas de viagem do marido acabei por embarcar na carruagem 22 do Intercidades. No lugar 32 para cima e no 77 para baixo, viajei na companhia de José Luís Peixoto pelos caminhos surreais da Coreia do Norte.   

O comboio é o único meio de transporte que, para mim combina com a leitura. Sou incapaz de ler duas linhas quando viajo de autocarro ou de automóvel. Fico imediatamente enjoada. Quando comecei a trabalhar e ainda não tinha carro era de comboio que diariamente seguia para Faro. No percurso de menos de meia hora, aproveitava sempre para ler e não raras vezes dava por mim em tristes figuras. É que as histórias saltavam frequentemente das páginas do livro para se estamparem no meu rosto, em riso ou em lágrimas.   Ainda hoje, pese embora o treino que a vida já me deu, continuo a não conseguir controlar todas as histórias. Algumas delas são sempre mais fortes do que eu. 

Ainda bem que este fim de semana viajei de comboio. Há muito que não o fazia e há muito que não lia por tanto tempo seguido. Nem mesmo em férias. Em casa o meu lugar de eleição para me agarrar a um livro é a minha cama. Faço-o sempre antes de dormir e o cansaço dos dias é por vezes impiedoso. Sobrepõe-se às histórias e faz-me sucumbir ao sono.

8 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu também só leio no comboio e no metro e aproveito bem as viagens entre Lisboa e Porto para o fazer.
Aliás estou cada vez mais fã do comboio como meio de transporte. Pena não ter avançado o TGV ( questiúnculas à parte, obviamente)
Boa semana

Teté disse...

Também é o único meio de transporte onde consigo ler. Enfim, no metro também deve dar, mas o espaço entre estações acaba por ser curto, para puxar do livro... E gosto de andar de comboio! :D

Quanto ao livro, também já o tenho encomendado... :)

Beijocas!

Catarina disse...

Também gosto muito de andar de comboio. O Alfa leva-me de Lisboa para o Algarve em poucas horas. Raramente leio nestas viagens como fazia quando aí vivia. Porquê? Porque quero passar o tempo a observar a paisagem que me é tão familiar e também as pessoas que viajam na mesma carruagem.

Pedro Coimbra disse...

"Nunca gostei de aeroportos. Tão cheios de gente, tão sem ninguém. Prefiro as estacões de comboios, onde sobra tempo para lagrimas e para acenar de lenços. Os comboios arrancam lentos,suspirantes, arrependidos de partir. Já o avião tem pressas que não são humanas."
Mia Couto, in O Segredo da Leoa.
Boa semana!!!

Naná disse...

As longas viagens que sempre fiz entre Algarve e Coimbra e depois até Lisboa, foram sempre acompanhadas de um livro e sem a habitual banda sonora do meu walkman :)
Eu leio em qualquer lado que me permita o sossego de seguir as linhas duma história.

E sim, também já fiz muita triste figura... cheguei mesmo a parar de ler, para não me lavar em lágrimas em pleno autocarro!

Ana disse...

Eu leio muito porque vou e venho de comboio para trabalhar! é muito bom:)
beijinhos

Arco Iris disse...

É também o único meio de transporte em que consigo ler, mas mesmo assim, se tiver barulho à minha volta já me tira qualidade à leitura.
Bjs

Graça Sampaio disse...

Adoro andar de comboio! Andei de comboio desde a barriga da minha mãe: de Algés para Lisboa; de Algés para Cascais; de Sintra para Lisboa todo o liceu, toda a Faculdade, o estágio de professora; de comboio para Leiria. E aqui fiquei... O comboio da linha do Oeste está "morto" (parece o Cavaco...) e há anos que não ando de comboio.No comboio lê-se, escreve-se, anda-se de um lado para o outro, vai-se à janela. Uma maravilha!