sábado, 7 de maio de 2011

Vestido de noiva

No volume dedicado à época contemporânea da “História da Vida Privada em Portugal”, encontro as páginas dedicadas ao casamento. Nas páginas dedicadas ao casamento, detenho-me nas linhas que contam a indumentária dos noivos. Fico a saber que, nas primeiras décadas do século XX, as camponesas portuguesas vestiam-se de preto para casar e que a partir dos anos 1930 as noivas envergavam um vestido ou fato de saia e casaco de cor suave, blusa clara e lenço branco ou véu na cabeça.

Foi no entanto nessa época que se adotou o branco para o vestido da noiva. Mas isso só acontecia nas elites, tanto urbanas como rurais.


A minha mãe que se casou na década de 1950 levou um modesto vestido cinzento. Não há fotografias do casamento no álbum para o atestar, mas lembro-me bem dela assim o contar. Era um vestido curto, cinza claro, que haveria de servir para outros dias festivos.


O branco acabou por chegar cá a casa nos finais dos anos 1980, no meu vestido. Curto. Sem véu.




Sarah Affonso - Casamento na Aldeia, 1937
Imagem do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian

12 comentários:

Manuela disse...

Querida Luisa, a minha avó materna, também casou de fato cinza com uma blusa branca de laçada, clarinha. Tenho uma foto do seu casamento. Mas só uma que não existiam, reportagens fotográficas... outros tempos ;)

Briseis disse...

Ele há coisas que, contadas, ninguém acredita... Pobres moças, casarem de preto e cinzentão... Mau augúrio... =)

luisa disse...

Manuela,
Pensando nisto das fotografias de casamento, verifico que no nosso álbum de família e considerando a irmandade materna só tenho fotografias de casamento dos meus dois tios e da minha tia mais nova. Nada da minha mãe nem das suas três irmãs mais velhas.

luisa disse...

Briseis,
Talvez não... questões culturais apenas. :)

Teté disse...

Engraçado que não sabia dessa. Até porque pelas duas ou três fotografias do casamento da minha avó, ela parece ir de branco, ou pelo menos com um vestido claro, suponho que no início dos anos 30. Mas ela não era camponesa nem das elites, pertencia à média burguesia.

Já a minha mãe, que casou em 1957, ia com vestido branco comprido, véu, flor de laranjeira, ramo de orquídeas, tudo a preceito. E eu também fui de vestido branco comprido, embora prescindisse do véu e da flor de laranjeira - afinal de contas só nos casamos uma vez (há azaritos, evidentemente, mas se houver segundo casório já não é a mesma coisa), pelo que queria tudo a que tinha direito... :)))

Beijocas e continuação de um bom Domingo!

Gi disse...

A minha mãe também casou nos anos 50, de vestido comprido de renda branca.

luisa disse...

Teté,
Concordo. Quando nos casamos, vestimos sempre a pele de uma princesa, não é assim? Eu usei um vestido curto, porém romântico q.b. :)

luisa disse...

Gi,
Bem bonito... haverá mulher que não sonhe com um vestido de noiva?

Catarina disse...

Enquanto o branco e a flor de laranjeira teriam um significado muito especial há umas boas décadas... deixaram-no de o ter atualmente. O vestido branco, comprido e com véu continua a ser a ordem do dia por aqui. Os casamentos são, de uma maneira geral, grandes e em grandes salões de festas. Quando me refiro a eles a algumas amigas de Portugal, estas consideram-nos corriqueiros. Aqui não.

luisa disse...

Catarina,
Mas por cá também os há grandes e o vestido de noiva continua a ser um motivo de interesse. Não me parece que haja essa ideia de que são corriqueiros...

George Sand disse...

É muito interessante esta área da história que estuda a vida privada, nomeadamente nas suas ocasiões mais marcantes.

luisa disse...

George Sand [Filipa],
De facto. Gosto muito de "espiolhar" este tipo de informação. :)