quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Chuva

Se tem que chover, que chova. Que me importa? Mas que chova noite dentro. Que chova quando eu me tiver recolhido em casa e fechado as portas. Melhor, que chova quando, de luzes apagadas, eu me tiver recolhido entre os lençóis. E pode até a chuva dançar com o vento e roçar o seu vestido pelas minhas janelas. Que chova, enquanto me deixo envolver pelos encantos de Morfeu. Que chova, como canção de embalar. E pode até chover de madrugada. Que chova aquela chuva enfurecida, batendo fortemente nos telhados. Que chova para eu poder ouvi-la na hora em que, mesmo sem querer, vou acordar. Se tem que chover, que chova. Que chova enquanto posso desenrolar e enrolar de novo o corpo, no tempo ainda morno da manhã. Mas quando chegar o dia, que se retire. Que perca a sua força e se desvaneça nos primeiros raios de sol que vão brilhar. E quando eu pisar de novo o chão da rua, que apenas sobre o seu cheiro. Que sobre nas paredes e nos beirais onde pequenas gotas ainda vão escorrer. Que sobre na terra rubra do caminho e nas folhas fatigadas da alfarrobeira. Que sobre mesmo só o cheiro da chuva.



Publicado para a Fábrica de Letras

2 comentários:

Tulipa disse...

Muito bonito :)
tb prefiro a chuva quando estou no quentinho. kiss

Otário disse...

eu gosto de adormecer ao som da chuva...
por mim pode chover a noite inteira...
eu também participei,
saudações otárias!