segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

As traças

Encontrei recentemente, nos papéis velhos, um texto que escrevi nos anos 80, dirigido a alguém que me teria desiludido com uma faceta excessivamente yuppie. Teria sido tal a desilusão que me apressei a derramá-la numa folha assumindo-me como alguém totalmente fora de época e desajustada da sua própria geração. O desabafo ficou guardado e esquecido todos estes anos e agora ao reencontrá-lo, por muito que me esforce, não consigo lembrar-me de quem me teria provocado tamanha reacção. É como se uma das traças que por vezes me estragam as camisolas no roupeiro, se tivesse instalado na minha cabeça e se tivesse insidiosamente alimentado de um bocadinho de memória. Uma branca total. Um buraco (trou de mémoire), como dizem os franceses.

Deixa-me aqui pendurar o insecticida, para ver travo esta praga.



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