É só para dizer que voltaram os secos.
Aos sábados, comemos caracóis. Ultimamente, claro está. Isto é, desde que é tempo de caracóis. E temos comido caracóis sempre no mesmo sítio, seguindo-se, para rematar, outro petisco qualquer. Uma saladinha de polvo, umas ovas de choco, umas moelas, uns choquinhos fritos. Finaliza-se com algum excesso, ou seja um doce. Bem, nem sempre. Também já se finalizou com morangos e com abacaxi. Mas hoje foi bolo de chocolate mesmo. Para acalmar o travo picante dos caracóis que, neste sábado, abusaram da malagueta.
Por estes dias dou-me conta de que o blogue é assim como o ginásio. Uma pessoa deixa de frequentar e o problema é conseguir voltar a fazê-lo. Só para que conste, deixei de ir ao ginásio há muito mais tempo do que deixei de vir ao blogue e esse facto não me parece um bom prenúncio.
enquanto não chove
que diz que
é amanhã
e depois também
o domingo estende-se
ao sol
enquanto não chove
que diz que
é amanhã
e depois também
os vizinhos fazem
um churrasco no terraço
corro fechar a janela
tarde demais
já cheira a carne grelhada
aqui dentro
baralha o ambiente
do almoço
aqui dentro são favas
com ramo de cheiros
enquanto não chove
que diz que
é amanhã
e depois também
ponho a roupa a secar
ao sol
amanhã digo
se choveu
Enquanto amorna o chá que acabei de fazer, enumero-lhe aqui os sabores: alcaçuz, canela, bardana, gengibre, dente-de-leão, curcuma, funcho, coentros, pimenta preta. A embalagem diz que é uma viagem sensorial ao oriente. Seja. Se o líquido morno amenizar a minha rouquidão já me dou por satisfeita. Em seguida hei de chupar mais uma pastilha euphon.
Costumo lavar o arroz antes de o cozinhar. É o que sempre vi a minha mãe fazer. É uma lavagem rápida, alguns segundos debaixo da torneira até a água deixar de passar esbranquiçada. Leio agora que não se deve, que assim o arroz perde parte dos seus nutrientes. Mas leio também, logo em seguida, que não senhora, que não é nada disso, que é apenas um mito. Qual das teorias estará certa? Certo, mesmo é que hoje já cozinhei arroz. E lavei-o, claro, com a força do hábito.