terça-feira, 6 de novembro de 2012

As analistas


No laboratório de análises clínicas estavam duas técnicas a efetuar as recolhas. Ambas tinham bata branca, como seria de esperar.

Uma delas tinha bata branca curta, daquele tamanho a que chamamos “três quartos” e usava-a sobre umas calças de algodão, verde hospital, como seria de esperar. A técnica da bata branca e calças verdes calçava uns confortáveis crocs, Nesta técnica nada surpreendia. Tudo era como seria de esperar.

A bata branca da segunda técnica de recolha de sangue era mais comprida e apertava elegantemente na cintura. Por debaixo da bata branca esta técnica vestia saia, blusa e meias pretas. Calçava sapatos altos de verniz. Com o cabelo louro platinado e corte à Marilyn, a segunda técnica alternava com a colega na chamada aos pacientes.

Entre a elegância e distinção de uma e a conformidade da outra, lá seguiam, um a um, os pacientes do laboratório de análises clínicas. Quando chegou a minha vez fiquei aliviada e contente por ser chamada pela técnica que se apresentava apenas como seria de esperar.

Prémio Dardos


Com muita simpatia a Briseis do blog “Do meu pedestal” resolveu atribuir-me o prémio Dardos que, segundo ela explica, se destina a reconhecer os valores e empenho de cada blogger distinguido.


Cumpre-me agradecer-lhe a distinção, de que sou certamente pouco merecedora, até porque sou pouco cumpridora das regras que por norma vêm associadas a estes selos.

Pois… é que para além de indicar e linkar quem me premiou (isso cumpri) e para além de exibir o respetivo selo (isso também cumpri) eu deveria indicar outros blogues aos quais, por meu turno, atribuo o prémio. Aqui é que a porca torce o rabo. A escolha é difícil. Assim vou considerar todos os que já linko aí na coluna “ao virar da esquina” e se os seus autores assim o entenderem, aceitem também esta distinção.

domingo, 4 de novembro de 2012

Passeio de domingo (121)



Neste domingo o tempo foi curto e feio. Metade do dia em viagem de regresso a casa, depois de três dias de ausência, e a outra metade a colocar ordem nas coisas. Para chatear houve chuva e, durante toda a tarde, falta de Internet. Antes que o domingo acabe e que este blogue comece a reclamar, deixa-me cá chamar o bom tempo com um passeio de há pouco mais de uma semana. Em Silves.







quarta-feira, 31 de outubro de 2012

12 meses: outubro


No último dia de outubro aqui fica a primeira fotografia do desafio proposto pela j. do blog azul turquesaA palavra que escolhi para ilustrar este mês foi “terra” e na verdade a imagem que aqui coloco acaba por ser uma composição de várias fotografias onde são visíveis diversos tons de terra. Associo outubro ao outono, às primeiras chuvas e ao cheiro a terra húmida que fica no ar. Cá pelo Algarve nem todas as árvores perdem o verde e até a terra recomeça a cobrir-se de viço com as ervas que renascem, vigorosas, após o longo tempo de estio. 


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ortografias

Olha... um folheto de 1947 a antecipar o novo acordo ortográfico. Ele há coisas...


domingo, 28 de outubro de 2012

Passeio de domingo (120)


O dia esteve lindo mas o passeio fotográfico até foi curto. Apenas uns disparos em Santa Luzia, a capital do polvo, após um excelente almoço da especialidade local, com os olhos postos na Ria Formosa.







terça-feira, 23 de outubro de 2012

Em silêncio


Achei que pelo caminho encontraria as palavras de que precisava para colocar aqui. Iniciei a marcha fazendo leves os pés. Caminhei em silêncio sem sequer ouvir o som dos meus passos. Só uma vez se ergueu o barulho da casca pisada de um caracol que não vi e que em má hora resolveu atravessar a estrada. Segui. Fui olhando cuidadosamente para todos os lados na esperança de ver passar as palavras certas. Não as queria deixar escapar. Apurei o ouvido. Talvez conseguisse ouvir o seu murmúrio, pensei. Mas não. Levantou-se o vento e apenas consegui ouvir o clamor das árvores cujas folhas estremeciam a cada sopro. Continuei a marcha. Não podia desistir. De certeza que mais à frente iria surpreender alguma que servisse os meus propósitos. Nem que fosse uma só. Bastar-me – ia uma palavra só. Uma palavra que pudesse decompor. Uma palavra que atraísse depois outras palavras. Sinónimos que a viessem apoiar. Antónimos que a viessem confrontar. Adjetivos que a viessem qualificar aos olhos de um leitor. Verbos que lhe viessem dar vida. Perscrutei o caminho que se desenhava à minha frente e avancei destemida sem me importar com a escuridão. Mas não encontrei as palavras. Só uma vez, à luz do candeeiro da rua, vi por breves instantes o bater de umas asas no ar. Mas logo desaparecerem na noite e percebi que, mais uma vez, me tinha escapado a palavra. Que mais uma vez ficaria em silêncio.

domingo, 21 de outubro de 2012

Passeio de domingo (119)


O meu domingo não está hoje muito virado para o passeio. Tenciono dedicá-lo a outro tipo de atividades criativas, esperando que delas resulte algo que valha a pena. Deixo por isso um passeio de outro dia. Tem cores semelhantes ao dia de hoje, sem sol, e foi registado por ruas e ruelas de Loulé.









Agúdia



Foi ontem. Registei uma invasão de agúdias no meu pátio. Depois das primeiras chuvas deste outono e em dia de sol palmilharam-me as varandas e imagino que os pardais que vivem no meu telheiro devem ter ficado entusiasmados com o festim. Têm sorte estes pardais. Ao menos não são agúdias presas em armadilhas. Lembro-me de, quando era criança, os adultos apanharem as agúdias e as guardarem dentro de um pedaço de cana. Depois, serviam de isco para armar aos pássaros. Ontem voaram-me estas formigas aladas para o pátio e por cá andaram a espreguiçar-se ao sol. Hoje, a chuva voltou.