No laboratório de análises clínicas estavam duas técnicas a
efetuar as recolhas. Ambas tinham bata branca, como seria de esperar.
Uma delas tinha bata branca curta, daquele tamanho a que
chamamos “três quartos” e usava-a sobre umas calças de algodão, verde hospital,
como seria de esperar. A técnica da bata branca e calças verdes calçava uns
confortáveis crocs, Nesta técnica nada surpreendia. Tudo era como seria de
esperar.
A bata branca da segunda técnica de recolha de sangue era
mais comprida e apertava elegantemente na cintura. Por debaixo da bata branca
esta técnica vestia saia, blusa e meias pretas. Calçava sapatos altos de
verniz. Com o cabelo louro platinado e corte à Marilyn, a segunda técnica
alternava com a colega na chamada aos pacientes.
Entre a elegância e distinção de uma e a conformidade da
outra, lá seguiam, um a um, os pacientes do laboratório de análises clínicas.
Quando chegou a minha vez fiquei aliviada e contente por ser chamada pela
técnica que se apresentava apenas como seria de esperar.

























