quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Caminhando


Encostei a preguiça à parede e voltei a caminhar. Já é noite e o ar mais frio obriga-me a proteger as orelhas com uma espécie de auscultadores felpudos que me aquecem mas não dão música. O que ouço é o som surdo dos meus passos no asfalto. Ecoa-me nos ouvidos. Pum. Pum. Pum. Parece vir de dentro de mim. A cada passo ressoa. Ouço também os cães que em cada quintal de cada casa à beira do caminho vão ladrando, ladrando, ladrando… como que por contágio. Adivinho-lhes o porte pelo tom mais grave, mais agudo ou mais esganiçado e até há um que quase se engasga de rouquidão.

A lua vai cheia e reforça a iluminação do percurso. Ali, naquela curva há uma amendoeira já carregada de flores e a sua delicada alvura recorta-se como renda no fundo escuro da noite.

7 comentários:

Teté disse...

E tem estado mesmo uma lua linda num céu límpido! Mas frio também, para nos tirar ideias dessas passeatas noturnas na cidade... :)

El Matador disse...

texto e foto brutais.

luisa disse...

Teté,
É sair bem apetrechados. Força nos agasalhos. Olha que chego a casa com calor :)

El Matador,
Obg :)

Naná disse...

Grande foto e que bela caminhada!

Anónimo disse...

UAU!!!!!!!
Que fotografia!
Parabéns.
Rog

luisa disse...

Rog,
A caminhada é de ontem... a foto de domingo :)

Anónimo disse...

Maravilhoso lê-la!