Ao final do dia, em Vilamoura.
domingo, 23 de dezembro de 2018
sábado, 22 de dezembro de 2018
A osga
Encontrei
uma osga escondida na caixa onde guardava as figuras de um presépio.
Assustei-me e arrepiei-me de tê-la ali tão perto dos meus dedos
enquanto retirava os Reis Magos dos seus encaixes de esferovite.
Assustada eu, mas ela mais ainda. Lá fui sacudindo a caixa com jeito
para a deixar sair. Escapuliu-se em busca de outros cómodos na
arrecadação. Deitei a caixa fora e armei o presépio. Pensando
bem, quem sabe se no presépio original, numa qualquer fenda da
manjedoura, não andou por lá escondida uma osga.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
domingo, 16 de dezembro de 2018
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Almoço
É
cedo. Na sala, ainda silenciosa, do restaurante-serve-te-a-ti-próprio
apenas quatro pessoas ocupam quatro mesas. Cada uma com o seu
tabuleiro. Cada uma com o seu telemóvel. Vão comendo e enquanto
mastigam vão tocando nos pequenos ecrãs luminosos. Ocupo uma quinta
mesa. Hoje também almoço sem companhia. Mas tomo posição e
dispenso a do telemóvel que mantenho confinado na mochila pendurada
nas costas da cadeira. Pobres coitados, penso, tão sós que nem à
refeição se desligam das redes. Não preciso de tal sucedâneo,
convenço-me. Pura ilusão, bem sei. Sou tão só quanto eles.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
O lugar das palavras
Supondo
que queria substituir imediatamente todas as palavras da minha
linguagem por outras; como poderia eu determinar o lugar onde
uma das novas palavras se coloca? São as ideias que mantêm o lugar
das palavras?
Wittgenstein,
L., Fichas (Zettel), Edições 70, 1989.
domingo, 9 de dezembro de 2018
Devagarinho
Abro
devagarinho a janela. Tento não fazer muito barulho para o silêncio
que se instalou por aqui não estranhar. Apesar do meu cuidado, as
dobradiças rangem um pouco. Estão mesmo com falta de uso.
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