terça-feira, 20 de maio de 2014

História ao pé da letra

Tudo aconteceu do pé para a mão. Naquela tarde ninguém esperava que caísse tamanho pé-d’água. Foi de tal modo que o congestionamento de trânsito provocado pela enxurrada colocou a cidade em pé de guerra. O Arlindo acabou por sair do táxi e, apesar de lesionado, optou por seguir ao pé-coxinho até ao banco onde tinha depositado o seu pé-de-meia. Embora fosse pessoa habitualmente de pé atrás no que dizia respeito a instituições financeiras tinha-se rendido depois de, meses antes, a sua casa ter sido assaltada por meliantes que lhe arrombaram a porta com a ajuda de um pé-de-cabra. Nessa altura a mulher bateu o pé e obrigou-o a depositar as poucas economias que restaram no banco.  Vais num pé e vens no outro, tinha-lhe ela dito. Julieta, mulher de Arlindo, não era daquelas que se põem com pés de lã. Pelo contrário. E se metia uma ideia na cabeça era capaz de pôr os pés à parede e fazendo o maior pé-de-vento deixava o Arlindo num estado tal que o coitado acabava metendo os pés pelas mãos sem conseguir nunca ficar em pé de igualdade com ela. Só uma coisa consolava o Arlindo. Era que, a Julieta, tal como ele, também nunca tinha tido jeito para a dança. Eram ambos verdadeiros pés-de-chumbo. 

10 comentários:

  1. :) Gostei muito do bom humor neste texto e penso que não terá faltado nenhuma expressão com pé :)

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  2. E ao jantar em vez do vinho habitual, estou mesmo a ver, beberam água-pé.
    :)

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  3. Pés-de—chumbo não conhecia.

    Poderia dizer que este texto não tem pé nem cabeça, mas estaria a mentir!

    : ))

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  4. Muito bem, Luísa! E com tantos pés, até conseguiste não meter os pés pelas mãos... Só faltou dizeres que o Arlindo era pé-de-gesso ....

    Beijinhos com pés e cabeça...

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  5. Isso é que foi de pôr o pé no acelerador e toca a andar. E sem meter os pés pelas mãos, como bem diz a Graça... :)))

    Beijocas

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  6. ~
    ~ Está muito divertido o teu texto, Luísa.

    ~ Grata pela partilha.

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