sábado, 6 de agosto de 2011

Praia



Tenho o meu livro de ponto cheio de faltas. Dias e dias sem passar pelos blogues que gosto de visitar. Dias até sem passar aqui pela esquina, nem que fosse para dar uma varredela no passeio. Mas, no meio das ausências, ainda vi que o Carlos Barbosa de Oliveira nos convidou a postar sobre a praia da nossa vida para que ele fosse dando conta, nas suas Crónicas do Rochedo, das “praias da vida dos outros”.



Já no ano passado participei no passatempo de verão do CR, com um postal de férias. Este ano, não poderia faltar à chamada.



Mas que praia haveria eu de aqui postar, se eu abro a janela e tenho um horizonte cheio delas?



Escolho recordar a minha primeira praia, aquela que frequentava quando era criança e, na maré vazia, brincava nas poças de água – verdadeiras piscinas - que aqueciam ao sol entre os rochedos.







A praia dos Olhos de Água, era, nos anos 1960, a praia de eleição das gentes de Boliqueime. Nas aldeias poucos seriam os que tinham automóvel e as viagens em família faziam-se em carro de besta ou de comboio e a pé. Lembro-me bem de apanhar o comboio para descer no apeadeiro da Patã – hoje já não existem apeadeiros, a não ser a estação de Boliqueime que, tendo sido fechada, se transformou num deles – para prosseguir a pé até à praia. Ainda era longa a marcha, pés trôpegos pelo caminho de terra batida e de areia por causa do peso das alcofas que levavam o farnel.



A toponímia é um processo recente aqui na freguesia. Há apenas uns dois anos que as ruas ganharam nome. O facto é que, passando agora pela Estrada Nacional 125, verifico que a esse caminho perpendicular que utilizávamos, chamaram “Rua da Praia”. Pois, por essa rua seguíamos, em ida e volta de um dia balnear.




[verão 2010]




[maio 2011]


A praia dos Olhos de Água, assim designada, em virtude dos “olheiros” de água doce que brotam debaixo das rochas quando estas ficam a descoberto na maré vazia, é uma praia pequena, de pescadores, que se tornou numa “mini-Albufeira” com as suas encostas invadidas por hotéis e apartamentos de férias. Esta é a sina das pequenas maravilhas da costa algarvia. Todos querem usufruir delas. Mesmo assim, a praia dos Olhos de Água não perde o seu encanto. O que ela perdeu, no inverno passado - facto recentemente muito noticiado na imprensa - foi um dos seus emblemáticos rochedos. Precisamente o rochedo perto do qual se situam as famosas nascentes de água doce e que marcava a fronteira entre a praia dos Olhos de Água e a do Barranco das Belharucas, a leste.



Ao olhar hoje para esse lado da praia, fico com uma sensação estranha. Faz-me falta aquele rochedo. Já não está lá, mas para mim está.




[verão 1967]


7 comentários:

Catarina disse...

Quando era miúda, também chegámos a ir a essa praia e recordo-me perfeitamente de passarmos por uma estrada de terra batida e de brincar nos olheiros. Ao fim de décadas, visito esta praia de novo – este ano – mas não cheguei a ver os tais olheiros pois a maré estava cheia. Tive pena. Também irei postar algumas fotos desse dia.
Gostei de ler o teu texto. São sempre interessantes, despretenciosos e escritos com grande sensibilidade, característica do teu blogue. Estou contente por o ter descoberto. Abraço e bom fim de semana. Aguardo pelo teu “passeio de domingo”.

Manuela disse...

Querida Luisa, gostei muito de ler esta história da praia da tua vida e da ilutração que lhe deste, com fotos mais recentes e outras mais antigas. :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Obrigado por participar no desafio, Luísa.
Actualmente, quando procuro o Algarve fora da época alta ( de Junho a Setembro nunca aí ponho os pés..) vou com frequência para os Olhos de àgua (Porto Bay). Mas há outras praias de que tenho boas recordações no Algarve: D. Ana, Praia da Luz e a praia da Oura no início dos anos 70.
Seguindo a sequência da entrada dos posts, farei link do seu no dia 11, ok?
Mais uma vez obrigado pela participação.

folha seca disse...

Luisa vim aqui parar pelo CR.
Se permite uma pequena estória que envolve a sua Praia.
Para aí há 33 anos fui pela primeira vez ao Algarve. Um amigo que tinha conhecido noutras paragens tinha uma pequena casa de campo que que herdou do Avô em Boliqueime. Ficava mesmo no alto passando pela casa do Pai Do Cavaco Silva.
Não havia agua e luz.
A praia aconselhada foi precisamente a Sua. Nunca mais lá voltei, mas lembro bem o Rochedo e os olhos de água.
Cumprimentos
Rodrigo

luisa disse...

Rodrigo,
Pois... esta também era a praia do actual casal presidencial... tal como era, de facto, a praia mais frequentada pelas pessoas de Boliqueime.
Quanto à àgua e à luz, só lhe digo que à minha casa a luz chegou já no final de 70, início de 80. Sobre a água, quase prefiro nem falar, já que onde moro ainda espero pela ligação da água da rede...

Teté disse...

Há muitos anos que lá não vou, mas recordo essencialmente ser uma praia onde existiam rochas e rochedos que formavam sombras ou "piscinas" naturais.

Quanto ao resto, pois, esses rochedos (periclitantes ou não) estão a ser retirados de algumas praias. E disso tenho pena, mesmo que seja para assegurar a segurança dos banhistas! ;)

Tulipa disse...

luisa, estive na praia dos olhos de água há uns dias atrás. traz-me muito boas recordações, assim como boliqueime :) foi por aí que passei todas as minhas férias de verão, por isso gosto tanto de vir aqui ler-te :) beijinho