sexta-feira, 12 de julho de 2013

Palavras negras


Eram palavras negras. Acertaram-lhe violentamente no fundo da alma e ficaram por várias horas rodopiando em seu redor vergando-a de dor sempre que voltavam a atingi-la. A cada volta que davam pareciam agigantar-se e cercavam-na até fazê-la sufocar.

Sem saber como, reuniu forças e foi agarrando naquelas palavras negras. Enfiou-as, uma a uma, num saco fundo que atou com um cordel para evitar que se soltassem. Conseguiu abafá-las como só uma mãe pode fazer.


8 comentários:

Jorge disse...

Olá, Luisa!
Palavras excessivas são, por vezes, dolorosas, quer para quem as diz quer para quem as ouve.
Abafá-las, pode não ser a solução. Mas, a sabedoria e o amor maternal podem fazer milagres.
Abrs

Rosa dos Ventos disse...

Às vezes é preciso proteger os filhos dessa maneira!

Abraço

quem és, que fazes aqui? disse...


Não sei se as enfiando num saco se conseguem abafar. A alma ouviu-as...

Beijo

Laura

Teté disse...

Há palavras negras e momentos muito negros. Fica a esperança que tudo se resolva da melhor maneira...

Beijocas!

Graça Sampaio disse...

E quando esse saco se voltar a abrir, voltaremos a falar na abertura da caixa de Pandora...

Pobres palavras negras... (e porque é que o negro tem sempre uma conotação negativa?!)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Eu repego aparte final do comentário da Graça, porque também já me tenho interrogado sobre isso.
Bom fds

Vane M. disse...

Que lindo escrito, Luisa. Acho que vou arranjar um saco desses para abafar as palavras quando quiserem me tomar. Um abraço!

Naná disse...

Ai... fiquei angustiada... espero que abafando resolva!