sexta-feira, 25 de novembro de 2016
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
O estranho caso de Tagik, o berbere contador de histórias
Entretanto, o pássaro azul, de
papo cheio, saltitava de prateleira em prateleira, por uma das galerias que se desenhava
frente ao rei e este, deixando o velho cego a falar sozinho no vestíbulo,
resolveu seguir o percurso que a ave empreendera, confiante que ela haveria de o
conduzir a uma saída. Um pássaro, pensava o rei, não fazia sentido senão livre,
voando a céu aberto. Nesta certeza,
acompanhou a ave que seguia por intermináveis corredores de estantes, repletas
de livros, umas iguais às outras, ao ponto do rei achar que caminhava em círculo,
passando uma e outra vez pelo mesmo local. O rei já estava em perfeito
desespero quando o pássaro pousou numa prateleira, junto a um livro de grandes
dimensões, com capa de couro velho e título gravado a ouro. “O homem das quatro
vidas” leu o rei, enquanto o pássaro vocalizava repetidamente “tagik, tgik, tagik,
tgit, tagik”. O rei retirou o livro da estante, abriu-o sobre uma mesa de
leitura que se encontrava à sua direita e ao virar a primeira página…
Fascículo 6
E mais aqui.
E, a não perder, o final da história (ou o principio de mil e uma outras) aqui.
Fascículo 6
E mais aqui.
E, a não perder, o final da história (ou o principio de mil e uma outras) aqui.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Cata-ventos
Foi uma das novas rotundas, entre as muitas desenhadas este
ano na estrada principal, que desvendou a pequena horta de citrinos. Está do
lado direito da estrada e quando ali passo pela manhã, enquanto rodo o volante
para a esquerda, perfazendo o necessário semi-círculo junto ao redondel, olho
invariavelmente para lá. Até nem foram as laranjeiras, viçosas, por sinal, que
me espicaçaram a vista. E nem tão pouco foram uns quantos girassóis em que hoje
reparei. Não. O que todos os dias me encanta são os cata-ventos. Estão
acoplados à cerca que separa a horta da estrada e são tantos que a sua conta é
impossível de fazer no tempo breve da minha passagem. São cata-ventos muito
rudimentares, feitos de cana, mas cada um enfeitado com uma forma geométrica de
cor diferente. A horta parece-me assim um jardim misterioso, ladeado de engenhos
capazes de atrair ventos e outras energias, que o dono, um jardineiro sonhador,
aproveita para adubar as árvores e a imaginação das criaturas que, a caminho do
trabalho, precisam, em cada dia, de uma pequena dose de evasão.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
sábado, 19 de novembro de 2016
Sábado
Ao fim deste sábado, o que resta entranhado em mim e pela casa
é um cheiro doce. Sinto um toque de anis, um sopro de canela e açúcar trigueiro
a fundir-se na fruta. Ao fim deste sábado, sobra um doce de abóbora a arrefecer
na panela e frascos alinhados à sua espera. Sobra também uma moleza nas pernas e
uma vontade irresistível de aceitar quanto antes o convite de um livro que,
ali, pousado na mesa de cabeceira, está insistentemente a chamar-me para a
cama.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
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