... no turbilhão de cores de uma feira popular.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
A rapariga da caixa
A rapariga da caixa tem unhas de gel azuis. Vai passando os
pacotes de massa e de arroz pelo leitor de códigos de barra. Passa o pão, as
latas de conserva, as embalagens de queijo e fiambre, os sacos de frutas e legumes.
Tem as mãos em modo automático e, enquanto vai passando as compras dos clientes
do supermercado pela máquina, vai conversando com uma colega ou com alguma conhecida
que se abeira dela junto à caixa. Sente-se que está animada com a conversa.
Quando fecha a conta, interrompe, por breves segundos, o seu animado diálogo para
verbalizar o montante que a cliente tem de pagar. Ao mesmo tempo pousa a mão
estendida sobre o tampo da caixa para receber. Continua em amena cavaqueira e
não olha sequer para a cliente que tem de lhe colocar o dinheiro na mão, como
se de uma pedinte cega se tratasse.
A rapariga da caixa tem unhas de gel azuis e vai repetindo
dia após dia os mesmos gestos. Por coincidência, ou não, há sempre uma amiga
que a vem cumprimentar e com quem tem de travar uma conversa inadiável. Tão
inadiável que não a interrompe sequer enquanto faz um troco e não consegue
olhar para a cliente enfadonha que está a atender. Só consegue estender a mão sobre
o tampo da caixa para receber o pagamento ao mesmo tempo que vira o tronco e a
cabeça para conversar com a amiga que está do outro lado.
domingo, 10 de novembro de 2013
Passeio de domingo (171)
Neste domingo, se tudo estiver a decorrer como previsto, estarei
a passear na feira da Golegã. Como já se percebeu, até porque eu ainda sou moça
à antiga e não publico em direto, as imagens estão agendadas e são de uma anterior ida à feira do cavalo.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Das duas, uma
Ou eu estou a ficar muito esquisita ou as lojas não têm nada de jeito. É que não consigo comprar um trapinho novo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
A roseira
A roseira ainda está ali. Está junto à parede que já foi
branca de cal. A parede mudou de cor e de textura. Foi revestida de pedra até
meia altura e foi pintada de rosa salmão, mas a roseira ainda está ali. Está em
flor, como sempre a vi, com rosas pequenas e rubras. Na imagem que vejo quando passo
junto à roseira falta a figura da avó. Lembro-me dela encostada à roseira, vestida
de negro e em esforço para endireitar o tronco que já se apresentava dobrado pelos
anos de duro trabalho. Vejo-a assim, como sei que ficou registada numa fotografia
que deve estar guardada no velho álbum arrumado na estante do escritório. Há
imagens como esta que se fixam na memória e que não se desvanecem. É uma
fotografia a cores que não vejo há muitos anos mas sempre que passo junto à
roseira que vive rente à parede, que já foi branca de cal, vejo ali a avó,
vestida de negro e de lenço na cabeça. Sempre de lenço e chapéu preto na
cabeça.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Mimos blogueiros
Para celebrar o 1º aniversário do blogue “Jardins deAfrodite” a sua autora não fez por menos e desatou a presentear quem a segue. E
mais… não se contentou em oferecer um selo personalizado como este, bem bonito,
que recebi. Para cada um dos bloggers que presenteia Afrodite escolhe belas
flores e uma música. Eu adorei a que me calhou. Vão lá ouvir.
domingo, 3 de novembro de 2013
Passeio de domingo (170)
Depois de uma semana com escassas passagens aqui pela
esquina, não falto, no entanto, ao passeio de domingo. Desta vez, pelos campos
de Vilamoura.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
O florista
Fui à florista da praça comprar algumas flores com a
intenção de preparar um pequeno arranjo para a campa da minha mãe. A azáfama
era grande. Bastante clientela, coroas e palmas a fazer e as floristas sem
mãos a medir.
Junto às mulheres que se atarefavam, estava também um homem que
se disponibilizou para me atender. Escolhi um molho de margaridas, cinco gerberas
e cinco pés de verdura. Entreguei-lhe tudo para que embrulhasse e fizesse a conta.
Começou por colocar os fios de arame nas gerberas. Via-se
que os seus dedos não tinham muita habilidade para a coisa. Quando terminou de
colocar os arames juntou tudo e começou a atar os pés das flores com um fio. Ao
levantar o ramo percebeu que tinha atado também outras flores que se
encontravam sobre a mesa mas que não me pertenciam. Desfez o atilho e
recomeçou. Pelos vistos os arames das gerberas estavam frouxos, porque voltou a
contorcê-los um a um.
Por essa altura comecei a ficar com calor. Havia bem uns dez
minutos que a cena se desenrolava e comecei a sentir falta de uma pequena dose
de paciência. Respirei fundo, olhei para o lado e esperei. O homem embrulhou os
pés das flores num pedaço de papel de alumínio e entregou-me o molho enquanto
eu lhe estendia uma nota para pagar.
Mal agarrei no ramo, soltou-se uma gerbera
do atilho que nada atava. Com os nervos em franja devolvi as flores a uma das
mulheres que se viu obrigada a interromper o trabalho que fazia para resolver o
meu caso. E resolveu-o num instante, no tempo que o florista necessitou para me
fazer o troco.
domingo, 27 de outubro de 2013
Passeio de domingo (169)
No domingo em que entramos na hora de inverno e em que
preciso de deixar o passeio agendado, fica aqui o testemunho da minha ida até à
praia quando, há uma semana atrás, se desmontava o verão.
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