domingo, 28 de fevereiro de 2021

Passeio de domingo (524)

 


Isto não foi bem um passeio, foi mais uma sessão de agachamentos, para tirar o retrato às primeiras orquídeas silvestres do ano e a algumas outras flores também pequeninas.











segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sábado

 

O sol voltou finalmente e deposito nele a esperança de que ataque o verdete que a chuva dos últimos dias fez crescer. O dos muros e o da alma. Saí para os afazeres essenciais, pouco mais de meia hora. Almocei peixe grelhado e batata-doce assada. Depois subi a encosta e corri atrás das borboletas. Como eu deviam estar à espera do sol. Irrequietas, voavam de um lado para o outro, pousavam por breves segundos numa flor, numa folha, num torrão de terra vermelha. A minha amendoeira está finalmente em flor. Alegrei-me com isso e as abelhas também. Apoderaram-se dela num zumbido só. Vi a primeira papoila do ano, solitária no meio de um verde imenso. Acredito que em pouco mais de uma semana possam começar a despontar as pequenas orquídeas silvestres. Ao longe avistei o mar. As saudades que tenho do mar. Consegui ver pequenas velas coloridas. Talvez uma regata furando o confinamento ou o oceano brincando ao Carnaval.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Passeio de domingo (522)

 


Passeio em área de residência, como manda a lei, observando o que vai surgindo na orla da estrada e dos caminhos.









Sobre as ti Bia

 

Confirmo. Sou do sul e sim, também tive uma ti Bia. A conjugação do verbo é clara, pertence ao grupo das tias às quais já não posso telefonar. O meu sul é um pouco mais a sul, não é uso fazer-se cá popias. Mas adoro popias. A minha ti Bia, claro, não fazia popias mas fazia aquelas filhós com formas rendadas, de uma massa muito fina e muito estaladiça. E vendia leite, a minha ti Bia. Tinha uma vaca leiteira e as pessoas traziam a sua própria vasilha e vinham comprar o leite de manhã e à tarde, a seguir a cada ordenha. A casa da minha ti Bia tinha o rádio na cozinha, uma dependência independente do resto da casa. Era aí que se ouvia a radionovela “Simplesmente Maria”. Lembro-me de que não se perdia um episódio. Ao lado da cozinha ficava a cisterna (ainda fica) de onde se retirava a água com um balde de zinco puxado por uma corda. Os poiais que ladeavam (ainda ladeiam) a cisterna e algumas cadeiras baixas de atabua, eram onde nos sentávamos para conversar nos fins de tarde quentes de verão. Junto à casa, quase por detrás da cozinha, a meio caminho da minha casa havia uma alfarrobeira (já não há) com um baloiço de corda, que me fazia voar.