domingo, 14 de abril de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Costura


No tempo da costura havia um quarto onde as primas modistas tinham a máquina, a mesa, a régua, a tesoura e o lápis para marcar o tecido. Nem sempre era um lápis. Às vezes era com um pedaço de sabão azul e branco que desenhavam no pano as peças de roupa que iam fazer. Cortavam, alinhavavam com a linha branca, grossa, que se partia facilmente com um puxão.

No quarto da costura havia uma cama coberta com uma colcha colorida feita de mil e uma rosetas de croché. Eu sentava-me nela e ficava a ouvir as conversas das primas modistas.

Por vezes, ensinavam-me a chulear. Eu agarrava-me à agulha, à linha e às bainhas esforçando-me por deixar o ponto bem alinhado. Todo certinho. Também me ensinavam a casear. Para essa tarefa havia que ter ainda mais cuidado pois era obra que ficava à vista.

O tempo da costura foi substituído pelo tempo do turismo e outras tarefas melhor remuneradas passaram a ocupar as primas modistas.

Do tempo da costura não me sobrou muita arte. Encostei-me a quem a tinha e fiquei-me pelos indispensáveis arranjos caseiros. Pouco mais do que pregar um botão e remendar uma meias.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Todos os patinhos...


Ainda estou aqui a pensar nos cinco ou seis patinhos que corriam estrada fora esta tarde. Circulavam apressados no meio do trânsito infernal das seis da tarde, junto ao separador central da Nacional 125, no sítio do Patacão, à saída de Faro. Os carros formavam fila ao abrandar o andamento com receio de os atropelar. Eles lá iam em passo de corrida, não sei com que destino. Ainda estou aqui a pensar até onde terão conseguido chegar e de onde teriam vindo. Com que aflição não andaria a mãe pata sem saber das crias? Terão sobrevivido à aventura em que se lançaram esta tarde?


domingo, 7 de abril de 2013

Passeio de domingo (142)



A rota de hoje até  incluiu mais do que um local de passeio mas por aqui ficam apenas as imagens da última etapa, numa das minhas praias de eleição, a Rocha Baixinha.







sábado, 6 de abril de 2013

Mãos


Vi-te desenhada na parede. Estavas ali, na sombra das rendas penduradas no estendal. As tuas rendas. Vi-te ali como se visse um poema. Nos delicados contornos das rosetas vi as tuas mãos. Vi-as tal qual estavam nos últimos dias. As tuas mãos que cavaram. As tuas mãos que amassaram. As tuas mãos que coseram e entrelaçaram tantos fios. Que juntaram tantos pontos. As tuas mãos que desenharam o poema que continuo a ver na sombra das tuas rendas, ali, penduradas no estendal.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Há dias assim...


Uma pessoa abre o facebook e o que é que tem à vista no seu feed? Um post da filha com fotografia do bolo que o mano acabou de fazer no seu regresso a Lisboa depois das férias da Páscoa. Uma pessoa nem fazia ideia que o filho tinha jeito para a doçaria. E pronto… fica frente ao monitor a babar-se. Pelos filhos que tem, e pelo bolo de chocolate.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cire aseptine


Gosto de folhear revistas antigas e acho imensa piada aos velhos anúncios publicitários. Numa revista de 1937 encontrei este pequeno anúncio, quase em jeito de notícia, e lendo-o até ao final descobri que publicita o creme cire aseptine. Lembrei-me de já ter usado este creme. Foi há muito tempo. Ao contrário do creme nívea que mantém a sua visibilidade e está presente nas prateleiras de qualquer supermercado, o cire aseptine desapareceu-me da vista. Este pequeno anúncio de outros tempos fez-me procurar novamente pelo creme que é daqueles que se dizem bons para tudo: rosto, mãos, cotovelos, calcanhares… Tenho um fraco por estes produtos que resolvem todos os problemas… ou quase. Um pouco como a banha da cobra. E pronto. Lá fui eu a correr até à farmácia à procura do dito creme. E não é que encontrei?
A publicidade, ainda que velhinha, cumpriu o seu papel. Aqui a consumidora foi direitinha na cantiga. Agora, de certeza que vou ficar com a pele maravilhosamente suave.