domingo, 13 de junho de 2010

As desgraças de Sofia

Hoje fui dar uma voltinha aos livros da minha infância.

Encontrei uma edição de 1973 da obra da Condessa de Ségur que conta as Desgraças de Sofia, uma menina muito traquina . Tem umas ilustrações lindas, de Manon Iessel.





sábado, 12 de junho de 2010

Viva a Santo António...uma!

Ainda sinto no ar o cheiro do alecrim a queimar na fogueira que se fazia nas noites de Santo António, São João e São Pedro. Ainda trago comigo a viva lembrança do nosso riso ecoando pela noite enquanto preparávamos as sortes, esses jogos de adivinhação e de interpretação do futuro que as moças casamenteiras experimentavam para ficar a saber com quem e como se firmaria o seu destino.

A sorte da fava iria dar-nos a indicação sobre o nosso grau de riqueza. Arranjavam-se três favas: uma sem casca, outra com metade da casca e outra ainda com a casca toda. Passadas nove vezes pela fogueira, dando repetidas vivas ao santo, eram colocadas debaixo do travesseiro de onde, na manhã seguinte, ao acordar, seria retirada apenas uma. A fava descascada fazia adivinhar um futuro de pouca abundância. Já a fava toda “vestida” significava uma rica vida em perspectiva.

Havia ainda a sorte da bacia de água onde se derramava uma quantidade de cera derretida que ao solidificar tomaria um conjunto de formas nas quais os nossos olhos, guiados pela superstição, haviam de descobrir o artefacto que significaria a profissão que teria o nosso futuro marido. Ou ainda a do chinelo que atirávamos ao longe com o pé, depois de executados os nove saltos sacramentais sobre a fogueira, e cujo posicionamento na queda nos indicaria a direcção do lugar de onde viria o nosso amado.

Ainda sinto no ar o cheiro do alecrim a queimar na fogueira, feita no meio da rua onde também se levantavam os mastros enfeitados de murta e rosmaninho, à volta dos quais se havia de dançar noite dentro. E na minha cabeça ressoa o “Viva a Santo António… uma. Viva a Santo António … duas, contando até nove os pulos que dava sobre as chamas da fogueira.



Imagem daqui

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A vida secreta dos objectos - a caixinha de lata


Não tenham dúvidas. A vida dá cada volta... Vejam só o meu caso. Há anos, mas anos… que eu estava enfiada num saco de plástico cheio de outros pequenos sacos de plástico que guardam botões velhos. Velhos de idade porque nem todos chegaram a ser usados. São botões de sobras. Sobras do tempo em que a M. trabalhava na confecção de roupa “pronto-a-vestir”. Eu própria guardo há que tempos alguns botões velhos, umas argolas de plástico e até um gancho de cabelo adornado com um laço de veludo azul. Fraco uso, este que me foi dado depois de cumprida a minha missão de guardar cigarros.

Em mais de 40 anos, fui uma lata bastante viajada. Nasci na Holanda, na fábrica de cigarros de H. & J. Van Schuppen N. V. mas fui destinada a ser vendida em França. Um por um, fui despojada dos meus cigarros. Eram apenas 10, da marca Panter Mignon. Mas, caixinha de lata que era, fui tendo outras serventias, nomeadamente a de guardar alfinetes e outras pequenas bugigangas. Acabei chegando a Portugal e por aqui fiquei. Há anos que ninguém me ligava. Mas a vida dá cada volta! E na volta das arrumações e da busca de um qualquer fio de croché, a L. redescobriu-me. Resgatou-me do saco de plástico e tenho passado uns dias bem mais arejados, sobre a mesa de apoio do quarto dela.
A sério, ó latinhas desse mundo aí fora…Não desesperem nunca. Como eu, mais dia, menos dia, irão descobrir que há sempre uma nova vida à nossa espera.

sábado, 5 de junho de 2010

Egoísmo

Escolhi a hora do egoísmo para poder senti-lo só meu.

Ao longe ainda ecoavam as vozes alegres dos últimos banhistas que se apressavam em direcção aos seus chuveiros com a fome do jantar a arranhar-lhes o estômago. Os banheiros, esses já haviam guardado as almofadas das espreguiçadeiras e picado ponto da saída há algum tempo. O vento que soprava, cansado, fez de repente uma pausa. Indiferente, a maré prosseguia o seu vaivém que eu ouvia enquanto caminhava vereda adiante em direcção ao areal. Por fim, cheguei e senti-o sob os meus pés, ainda morno do sol que impiedosamente o queimou horas a fio. Como eu esperava, estava vazio...





Publicado também para a Fábrica de Letras ( Tema: Estava Vazio...)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ainda a vertigem do tempo... mas no Algarve

Não deixes que esse retrato te esqueça. Vai buscá-lo onde estiver. Há um passatempo que espera por ele.

A vertigem do tempo

"Acreditem: é terrível ser esquecido por um retrato. Só muito tarde percebi que o passado e o futuro existem no presente, o que fomos e o que seremos estão connosco agora. Aquele miúdo sou eu, aquele velho sou eu."

António Lobo Antunes, esta semana, na Visão.

Água de cores


Fui ao cabeleireiro e enquanto me deixava pentear observava uma estranha e colorida instalação de saquinhos para cubos de gelo, cheios de água colorida, que se encontrava sobre a porta de entrada. Fiquei realmente atraída por aquela imagem e pensei que tivesse sido algum trabalho realizado pelos filhos dos donos do salão, eventualmente relacionado com o Dia da Criança recentemente celebrado. Intrigada, não resisti a perguntar. Mas não. Era só uma experiência. Como há quem diga que um saquinho de água pendurado à entrada da porta afasta as moscas, o meu cabeleireiro resolver experimentar desta forma mais artística se a coisa funcionava. E funciona? Parece que não, disse-me. Mas olhe, até parece bonito.

Bolo de banana

Tenho uma receita de bolo de banana com cobertura de chocolate que se tornou no mais famoso bolo dos dias de festa de aniversário no meu trabalho. Todos os anos vejo-me obrigada a confeccionar um exemplar sob pena de ser excomungada do meu serviço por uma horda de colegas a salivar de gulodice. Todos os anos recito a receita para quem quiser ouvir, mas como no momento estão mais preocupados em devorá-lo do que em tomar notas, levam meses a fio a perguntar-me quando é que faço novamente o bolo de banana e quando é que lhes dou a receita.

A mim, foi-me dada há longos anos pela minha amiga R. Agora vou finalmente dá-la ao mundo ( nem que seja só ao pequeno mundo que passa por esta esquina) e ficar à espera de comer muitos bolos de banana confeccionados pelos meus queridos colegas. Além disso, uma receita fica sempre bem num blog...



Ora aqui vai:

3 ovos; 170 g. de açúcar; 2 colheres de chá de açúcar baunilhado; 125 g. de farinha; 1 colher de fermento em pó; 100 g. de manteiga derretida; 1 banana grande.

Batem-se os ovos inteiros com o açúcar e o açúcar baunilhado para obter um creme fofo e homogéneo. Mistura-se a farinha com o fermento e vai-se adicionando ao preparado, alternando com a manteiga derretida. Bate-se bem e por fim junta-se a banana em puré. Mistura-se bem e vai ao forno a cozer a 180º, em forma de bolo inglês untada e enfarinhada (eu prefiro usar papel vegetal).

Desenforma-se e deixa-se arrefecer. Procede-se então à cobertura do bolo com 100 g. de chocolate para culinária e 1 colher de sobremesa de manteiga que são previamente derretidos em banho-maria e batidos fora do lume de modo a tornar a cobertura brilhante.





Asseguro-vos que está muito bom...

Ah... é verdade, quando disse ao meu filho que ia publicar a receita, ficou escandalizado. Insistiu que não o devia fazer...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dias especiais

Sei de uma menina que, nos idos anos 40 do século passado, ganhou os seus primeiros sapatos aos nove anos de idade. Comprou-os com o dinheiro ganho numas férias da Páscoa a trabalhar num pinhal. A sua tarefa era a de impedir os charnecos de comer as ervilhas por ali plantadas. Tinha que fazer a sua primeira batida ainda antes do sol nascer. Levantava-se, por isso, muito cedo e percorria longo caminho até lá chegar. A história, contou-a em verso popular perto do fim da sua vida. Dizia no último verso que tinha ganho para uns sapatos de vitela que faziam toilette com a sua chita da tabela.

Nessa meninice não conheceu dia dedicado à criança. E agora, que em breve chegará um dia dedicado aos avós, já não está por cá para o conhecer.